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Navio pirata em Santos? Entenda a origem da embarcação que encalhou há 130 anos

Conhecido como 'navio fantasma', casco que emerge com a maré baixa pode ser do veleiro britânico Kestrel, naufragado no litoral paulista em 1895

Navio: embarcação histórica reaparece na faixa de areia da praia de Santos e desperta a curiosidade de moradores e turistas (Prefeitura de Santos/Reprodução)

Navio: embarcação histórica reaparece na faixa de areia da praia de Santos e desperta a curiosidade de moradores e turistas (Prefeitura de Santos/Reprodução)

Publicado em 22 de julho de 2026 às 11h30.

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A maré baixa trouxe de volta um dos cenários mais curiosos do litoral paulista. O casco do chamado "navio pirata" voltou a surgir na Praia do Embaré, em Santos, no último sábado, 17, revelando parte de uma embarcação que pode ser o veleiro britânico Kestrel, naufragado na costa paulista há mais de 130 anos.

Conhecido também como "navio fantasma", o naufrágio desperta a curiosidade de moradores e turistas sempre que as águas recuam. Apesar do apelido popular, a embarcação nunca teve ligação com piratas. A principal hipótese é que os destroços pertençam ao Kestrel, um veleiro mercante de três mastros construído em 1871, que fazia o transporte de cargas entre a Europa, os Estados Unidos e a América do Sul.

Mais de um século depois, o antigo navio continua sendo um dos principais símbolos da história marítima santista. Em 2023, a Prefeitura de Santos inaugurou uma experiência em realidade aumentada que permite visualizar a embarcação em 3D sobre o mar, próximo ao ponto onde seus destroços costumam aparecer.

Qual é a origem do 'navio pirata' de Santos?

O Kestrel chegou ao Porto de Santos no início de 1895 para descarregar mercadorias e permaneceu fundeado enquanto aguardava novas ordens de viagem.

Em 11 de fevereiro daquele ano, uma forte tempestade atingiu o litoral paulista. Com a força das ondas, a corrente da âncora se rompeu e o veleiro foi arrastado até a faixa de areia nas proximidades do atual canal 5, onde encalhou. Não houve registro de vítimas no acidente. No entanto, os mastros foram destruídos e o leme ficou inutilizado.

Após o naufrágio, a embarcação foi parcialmente desmontada pelas autoridades portuárias e por representantes da companhia proprietária. O que permaneceu no local foram partes da estrutura de madeira e metal, que acabaram sendo cobertas pela areia ao longo das décadas.

Foto: Prefeitura de Santos

Foto: Prefeitura de Santos

Como o Kestrel foi identificado?

A identidade da embarcação passou a ser investigada após uma nova aparição dos destroços, em 2017. Segundo informações da Prefeitura de Santos, imagens da estrutura foram analisadas por especialistas em embarcações históricas, incluindo pesquisadores de Portugal.

As características observadas foram comparadas com registros históricos da navegação e reforçaram a hipótese de que os restos pertencem ao Kestrel.

Outro elemento importante para essa identificação é uma pintura produzida em 1895 pelo artista Benedito Calixto, que retrata o veleiro encalhado na praia. A obra serviu como referência para comparar detalhes da embarcação preservados sob a areia.

Embora ainda não exista uma confirmação definitiva, essa é a hipótese considerada mais consistente pelos pesquisadores.

Por que o navio aparece e desaparece?

Grande parte da embarcação permanece soterrada durante quase todo o ano. Apenas quando a maré recua de forma significativa parte da estrutura volta a ficar exposta.

As vigas de madeira e componentes metálicos revelados pelo mar transformam o local em uma espécie de museu a céu aberto, atraindo visitantes interessados em conhecer um raro vestígio da navegação do século XIX.

Segundo a Prefeitura, o local é monitorado e a instalação de estacas metálicas para proteger os destroços depende de vários dias consecutivos de maré baixa, condição que nem sempre ocorre devido às ressacas registradas no litoral.

Por que o navio não foi retirado da praia?

A retirada dos destroços chegou a ser cogitada, mas, de acordo com a prefeitura local, o processo aceleraria a deterioração da madeira.

Por esse motivo, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) transformou a área em um sítio arqueológico, preservando o que restou da embarcação no próprio local do naufrágio.

Hoje, os visitantes podem observar os destroços apenas das áreas permitidas, já que o espaço é sinalizado para garantir a conservação do patrimônio.

Como visitar o navio fantasma de Santos

Desde 2023, uma reconstrução digital permite visualizar o veleiro praticamente como era no fim do século XIX. De acordo com a Prefeitura, basta escanear o QR Code instalado no pontilhão da faixa de areia do canal 5 e apontar o celular em direção ao mar para ver o Kestrel em realidade aumentada.

Além da projeção em 3D, o ponto turístico reúne informações históricas em português e inglês e apresenta a pintura de Benedito Calixto que inspirou a reconstrução virtual.

A iniciativa busca preservar a memória de uma embarcação que, mais de 130 anos após o naufrágio, continua reaparecendo e despertando a curiosidade de quem passa pela orla de Santos.

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