Nasa: agência espacial divulga primeira foto do espaço (Gregg Newton/AFP)
Repórter
Publicado em 3 de abril de 2026 às 11h40.
A Nasa divulgou a primeira imagem da Terra captada pela tripulação da missão Artemis II nesta sexta-feira, 3, um registro histórico que marca o retorno da humanidade à vizinhança lunar após mais de meio século. A foto, tirada pelo comandante Reid Wiseman da janela da cápsula Orion, mostra o nosso planeta como um crescente azul e branco, parcialmente eclipsando o Sol.
O momento captura também o sucesso de uma manobra crítica que colocou a espaçonave em sua trajetória final em direção à Lua.
Lançada em 1º de abril do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, a Artemis II é a primeira missão tripulada do novo programa lunar da Nasa.
A bordo, além de Wiseman, estão o piloto Victor Glover, a especialista de missão Christina Koch — que se tornam, respectivamente, o primeiro homem negro e a primeira mulher a viajar para a órbita lunar — e o astronauta da Agência Espacial Canadense, Jeremy Hansen, o primeiro não-americano na jornada.
As primeiras imagens foram enviadas no segundo dia de voo, quinta-feira, 2, pouco depois da conclusão da manobra de injeção translunar (TLI, na sigla em inglês), um passo fundamental que impulsionou a Orion para fora da órbita terrestre. Em um dos quadros, é possível ver com clareza a África e a Península Ibérica.
O registro mais impressionante, no entanto, é o do crescente da Terra. A fotografia revela detalhes que apenas a perspectiva do espaço profundo permite: duas auroras distintas brilham nos polos, uma no canto superior direito e outra no inferior esquerdo.

Além disso, uma fraca luz triangular, conhecida como luz zodiacal — causada pela luz solar espalhada por poeira espacial — é visível no canto inferior direito. Essas são as primeiras de uma série de imagens que a tripulação enviará durante a missão de 10 dias.
A imagem evoca a icônica fotografia "Earthrise" ("Nascer da Terra"), capturada pelo astronauta Bill Anders na missão Apollo 8, em 1968, que mudou a percepção da humanidade sobre seu próprio planeta. Agora, uma nova geração de exploradores revive essa experiência, documentando-a com tecnologia moderna, incluindo câmeras mirrorless Nikon Z9 que estão sendo testadas para futuras missões Artemis.
A jornada da tripulação começou de fato na noite de quinta quando o motor principal da Orion foi acionado por 5 minutos e 50 segundos. Essa queima impulsionou a cápsula para fora da órbita terrestre, iniciando uma viagem de quatro dias rumo à Lua. O sentimento a bordo era de euforia e assombro.
"Preciso dizer, não há nada de normal nisso. Enviar quatro humanos a 400.000 quilômetros de distância é um esforço hercúleo, e só agora estamos percebendo a gravidade disso", disse o comandante Reid Wiseman, em uma transmissão da espaçonave. "Estamos definitivamente, 100% a caminho da Lua. É inacreditável que possamos nos dedicar a algo e conseguir realizá-lo. Esta é uma conquista técnica inacreditável".
O astronauta canadense Jeremy Hansen compartilhou do sentimento, falando diretamente ao controle da missão em Houston. "A humanidade mais uma vez mostrou do que somos capazes", afirmou. "São as suas esperanças para o futuro que nos carregam agora nesta jornada ao redor da Lua".
Apesar do sucesso até o momento, a Artemis II é fundamentalmente um voo de teste.
Seu principal objetivo é validar todos os sistemas da espaçonave Orion, incluindo suporte à vida, navegação e controle, com humanos a bordo. Pequenos percalços, como um alarme falso de vazamento de pressurização da cabine e um problema menor no sistema de distribuição de água, já foram superados e são considerados parte crucial do aprendizado.
"As coisas estão indo muito bem", disse Lori Glaze, da Nasa. "Acho que não poderíamos estar mais satisfeitos com o andamento. No momento, não estamos rastreando nenhum problema preocupante", explicou, reforçando que, após a queima do motor, as leis da mecânica orbital farão o resto do trabalho.
A trajetória da missão é de "retorno livre", aproveitando a gravidade da Lua para contornar seu lado oculto e impulsionar a cápsula de volta para a Terra. Na segunda-feira, 6, os astronautas atingirão o ponto mais distante de casa, ultrapassando em mais de 6.400 quilômetros o recorde de distância estabelecido pela Apollo 13 em 1970.
Com o sucesso desta missão, a Nasa pavimenta o caminho para a Artemis III, que planeja pousar astronautas na superfície lunar já em 2028.
A longo prazo, o objetivo é estabelecer uma base permanente na Lua, um passo intermediário para a primeira missão tripulada a Marte. Por enquanto, a tripulação da Artemis II continua sua jornada, com os olhos fixos na Lua e, ocasionalmente, no espetacular espelho azul que chamam de lar.