Missão Rosetta é avanço científico de maior destaque em 2014 para “Science”

Segundo diretor da publicação, as descobertas devem 'resolver um problema contra o qual as pessoas estiveram batalhando durante muito tempo'

A missão da sonda Rosetta, da Agência Espacial Europeia (ESA), lidera a lista das dez “Descobertas do Ano” em 2014, divulgada nesta quinta-feira (18) pela revista Science.

Rosetta e seu módulo Philae, o primeiro aparelho enviado pelo ser humano que aterrissou sobre um cometa, lideraram a lista não só pela façanha de alcançar o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, mas pelo conhecimento que os dados recolhidos permitirão obter.

Segundo o subdiretor de notícias da Science, Robert Coontz, as descobertas do ano devem “resolver um problema contra o qual as pessoas estiveram batalhando durante muito tempo e abrir a porta para uma grande quantidade de novas pesquisas”.

No caso de Rosetta, “a maior parte da boa ciência realmente está por vir”, comentou Coontz.

O achado paleontológico do ano foi o cálculo correto da antiguidade de pinturas de animais em uma caverna na Indonésia que se acreditava terem sido realizadas há 10 mil anos, mas que na realidade tinham entre 35 mil e 40 mil anos, o que indica que os humanos na Ásia produziram arte simbólica à par dos europeus.

A publicação também reconheceu uma série de artigos que compararam os fósseis de aves primitivas e dinossauros com os pássaros modernos e permitiram revelar a evolução genética das diferentes espécies de aves.

Além disso, elogiou um experimento que demonstrou que o fator GDF11 do sangue do rato jovem pode rejuvenescer os músculos e o cérebro de ratos mais velhos, e que levou a um ensaio clínico em que pacientes de Alzheimer receberam plasma de doadores jovens.

Entre os estudos de destaque está, além disso, uma pesquisa da Universidade de Harvard que se inspirou no comportamento dos cupins para criar um grupo de robôs que se coordenam entre si e são capazes de criar estruturas sem supervisão humana.

A lista também inclui outra pesquisa, com o uso da optogenética, técnica que manipula a atividade neuronal com raios de luz, que mostrou que é possível manipular lembranças específicas em ratos.

Na área de neurociência, se destacaram os primeiros chips “neuromórficos” que imitam a arquitetura do cérebro humano e estão projetados para processar informação da forma mais parecida como fazem os cérebros vivos.

Duas pesquisas pioneiras que desenvolveram dois métodos diferentes para cultivar células que se assemelham às células beta – as células produtoras de insulina do pâncreas – também foram reconhecidas por dar aos pesquisadores uma oportunidade “sem precedentes” para estudar o diabetes.

Na área de tecnologia, se sobressaíram os pequenos satélites conhecidos como “Cubesats”, enquanto em genética, foram destaque as bactérias sintéticas de Escherichia coli que poderiam ser utilizadas para criar proteínas de design com aminoácidos “não naturais”.

Apoie a Exame, por favor desabilite seu Adblock.