Pesquisa comprova 1º caso de infecção por covid no útero da mãe

Apesar disso, casos do tipo são extremamente raros e não devem causar preocupação exagerada
Grávida: pesquisadores descobriram infecção de bebê ainda no útero da mãe (magicmine/Getty Images)
Grávida: pesquisadores descobriram infecção de bebê ainda no útero da mãe (magicmine/Getty Images)
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Tamires Vitorio

Publicado em 14/07/2020 às 12:24.

Última atualização em 14/07/2020 às 14:34.

O primeiro caso de um bebê contaminado pelo coronavírus ainda na barriga da mãe foi confirmado, segundo médicos franceses. Eles afirmam em uma pesquisa divulgada revista científica Nature que uma mulher de 23 anos foi internada apresentando sintomas como febre e tosse no dia 24 de março, grávida de mais de 35 semanas. O bebê, um menino, de acordo com os pesquisadores, foi infectado ainda no útero.

No hospital, a mãe teve um resultado positivo para a covid-19 e foi submetida a uma cesárea. O menino foi levado imediatamente para a UTI infantil e também estava contaminado pelo vírus. Em 18 dias, ele teve alta, de acordo com os médicos, e sem maiores sequelas da covid-19.

A pesquisa aponta que o cérebro do bebê continha evidências de uma inflamação causada pelo vírus, que teria ultrapassado a placenta até a corrente sanguínea do menino e as hipóteses de que a infecção poderia ter acontecido durante o nascimento foram descartadas. Isso porque a placenta mostrou sinais de inflamações consistentes com a inflamação que a mãe teve por estar infectada com o novo coronavírus, dizem os autores.

Os médicos acreditam, no entanto, que a transmissão ocorre de forma mais intensa nas últimas semanas da gravidez, como foi o caso da jovem francesa. Apesar disso, em entrevista ao jornal britânico The Guardian, a líder do estudo, Daniele De Luca, confirmou que casos do tipo são muito raros. "Na maioria dos casos, o bebê não será prejudicado", afirmou De Luca.

Os riscos de uma mãe passar covid-19 para o filho ainda no útero já estavam sendo investigados por cientistas do mundo todo há algum tempo. Um estudo pequeno realizado em março e abril com 31 mulheres na Itália encontrou fracas evidências de que bebês ainda não nascidos poderiam contrair o vírus de suas mães. Ainda não se sabe quais são os efeitos causados pelo vírus tanto nas mães quanto nas crianças.