Médico francês que defendeu hidroxicloroquina contra covid-19 admite estar errado

Apesar de admitir que errou, Raoult continua a defender o uso da droga antimalária com a azitromicina; comunidade científica discorda

"A hidroxicloroquina não reduz a mortalidade em casos do novo coronavírus", disse Didier Raoult, médico francês que defendeu o uso da medicação para tratar a doença, em uma nota divulgada no National Center for Biotechnology Information (NCBI). A informação já havia sido confirmada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em meados de 2020, quando todos os estudos que averiguavam a eficácia da medicação no combate à pandemia foram pausados.

Em março do ano passado, Raoult fez um estudo com 42 pacientes internados por conta da covid-19. 16 deles foram tratados com a hidroxicloroquina, 8 com a combinação hidroxicloroquina-azitromicina e os outros 18 não receberam nada. Segundo a nota, no entanto, não houve diferença significativa entre os grupos para afirmar a eficácia da medicação.

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Apesar de admitir que errou, Raoult continua a defender o uso da droga antimalária com a azitromicina e afirma que a combinação "foi capaz de reduzir o tempo de internação dos pacientes".

A comunidade científica discorda. Um estudo realizado pela Universidade de Oxford mostrou que a cloroquina, além de não trazer benefícios para os infectados pelo SARS-CoV-2, também pode agravar os quadros em determinadas situações. Outra pesquisa mais recente, feita pelo Angers University Hospital com 250 pacientes, chegou a mesma conclusão.

A ineficácia do medicamento também foi comprovada por cientistas brasileiros. Cerca de 667 pacientes participaram do estudo, os homens eram a maioria e os voluntários tinham quadros leves ou moderados da doença. À época, a medicação foi administrada por até 15 dias e, no fim do período, nem o uso da cloroquina sozinha e nem quando combinada com a azitromicina demonstrou algum benefício em relação ao tratamento padrão para os casos da doença.

Raoult atualmente é alvo de uma investigação pelo Conselho Nacional da Ordem dos Médicos francês por conta de seus estudos sobre a cloroquina, bem como outros seis cientistas que participaram das pesquisas consideradas inexpressivas.

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