Ciência

Índia envia vacinas ao Brasil, mas total de doses no país ainda é incipiente

Com 2 milhões de doses vindas de instituto indiano, país ainda precisará produzir imunizante para acelerar vacinação

Com 2 milhões de doses vindas de instituto indiano, país ainda precisará produzir imunizante para acelerar vacinação (Amanda Perobelli/Reuters)

Com 2 milhões de doses vindas de instituto indiano, país ainda precisará produzir imunizante para acelerar vacinação (Amanda Perobelli/Reuters)

TL

Thiago Lavado

Publicado em 22 de janeiro de 2021 às 06h00.

Esta reportagem faz parte da newsletter EXAME Desperta. Assine gratuitamente e receba todas as manhãs um resumo dos assuntos que serão notícia.

Mais dois de milhões de doses da vacina contra a covid-19 estão a caminho do Brasil nesta sexta-feira, 22. Os imunizantes estão sendo enviados pela Índia e são fabricados no Instituto Serum, o maior produtor de vacinas do mundo. A informação foi pelo secretário de Relações Exteriores da Índia à agência Reuters.

A fórmula dessas doses foi desenvolvida pelo laboratório AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford e seria uma nova vacina que chega ao Brasil.

Embora mais que bem-vindas, as doses ainda são pouco para lidar com o problema da covid-19 no Brasil. Por enquanto, a imunização no país acontece com 6 milhões de doses da Coronavac, do laboratório chinês Sinovac, que foram importadas.

Como ambas as vacinas demandam duas doses para aplicação, o volume das duas somadas conseguiria atender 4 milhões de pessoas — o que seria insuficiente para vacinar os profissionais de saúde, estimados em 5 milhões de trabalhadores.

Para aumentar a capacidade de aplicação das vacinas, o Brasil aguarda agora a aprovação de 4,8 milhões de doses em fase final de produção. Essas vacinas são produzidas pelo Instituto Butantan, em São Paulo, e contém a fórmula da Coronavac. A espera se dá pela autorização da Anvisa em liberar o material para uso emergencial.

As doses da Índia enfrentaram problemas na exportação. O país argumentou que precisava iniciar sua própria campanha de imunização antes do envio ao Brasil e, na sequência, enviou carregamentos para os vizinhos Butão, Maldivas, Bangladesh e Nepal.

O Brasil precisa ainda que o insumo básico para a fabricação das vacinas em território nacional seja enviado. Conhecido como IFA, sigla para Ingrediente Farmacêutico Ativo, o material está em fase de importação, mas questões diplomáticas travam o envio da IFA para que o Brasil possa acelerar a produção. O Itamaraty está em conversas com a China, onde estão os insumos. O chanceler Ernesto Araújo nega problemas diplomáticos, porém, e afirma que há elevada demanda pelos produtos.

As doses da Índia ajudarão no combate à pandemia no Brasil, mas o país ainda tem percalços para resolver antes de conseguir a imunidade coletiva. Na noite desta quinta-feira, o consórcio de imprensa divulgou o número de vacinados no país: até o momento foram 109.097 pessoas.

 

Acompanhe tudo sobre:AstraZenecaExame HojeÍndiaUniversidade de Oxfordvacina contra coronavírusVacinas

Mais de Ciência

Ozempic pode desenvolver rara forma de cegueira, apontam médicos dos EUA

FDA aprova novo medicamento para tratar Alzheimer

Ozempic facilita a gravidez? Mulheres relatam aumento de fertilidade

Uso de garrafa plástica pode aumentar risco de diabetes tipo 2, diz estudo

Mais na Exame