Explicado o mistério do vestido azul e preto/branco e dourado

Médico explica como nosso cérebro interpreta as cores de forma subjetiva, fazendo com o que cada um enxerga seja único

Para uns, parece branco e dourado; para outros, preto e azul. A foto do polêmico vestido que circula desde ontem na internet gerou uma série de debates sobre o por quê de pessoas enxergarem a mesma imagem com cores diferentes.  

Preparado para a resposta? 

Trata-se da forma como o cérebro de cada um interpreta as cores. Quem explica em detalhes o mistério do vestido é o oftalmologista Ricardo Guimarães, diretor-presidente do Hospital de Olhos de Minas Gerais. “As cores são sempre relativas”, diz ele.  E, por uma combinação de fatores, a foto do vestido realçou o fato de que cada pessoa as enxerga de forma única. 

Então, antes de entrar em mais uma briga para ver quem está certo – o time do branco com dourado ou o time do azul e preto – preste atenção na explicação detalhada:

COMO ENXERGAMOS AS CORES?

“Olho não vê cor. Quem vê cor é o cérebro”, diz Guimarães. Parece estranho, mas nossos olhos não distinguem as cores umas das outras. Quem faz essa distinção é o córtex cerebral, que interpreta as frequências de luz captadas pelas células do olho. 

No caso das cores, temos 3 tipos das chamadas células fotorreceptoras coloridas: vermelhas, verdes e azuis. Isso acontece porque essas três cores básicas (vermelho, verde e azul) podem ser combinadas para dar origem a qualquer outra cor. 

Indivíduos que possuem falta de um desses tipos de células são daltônicos, mas todas as pessoas possuem variações na quantidade de receptores de cada cor. “Essa variações podem chegar a até 16 vezes, fazendo com que o vermelho que você enxerga, por exemplo, seja diferente do que eu enxergo”, diz Guimarães. 

Portanto, as cores que enxergamos estão ligadas a diferenças fisiológicas (a quantidade de células que captam cores) e a diferenças de interpretação (a forma como o cérebro entende as frequências). E isso é subjetivo. 

AS CORES MUDAM CONFORME O AMBIENTE

“Toda cor muda de cor quando está perto de outra cor. Isso acontece porque o seu cérebro muda a forma como percebe as cores dependendo de quais outras estão próximas a ela”, diz Guimarães. 

Experimente abrir um programa de manipulação de imagem, como Photoshop, e alterar a relação de brilho e contraste em uma imagem. Toda a figura mudará de cor. Na verdade, é seu cérebro quem está interpretando esses dados de forma diferente, baseado no contexto do ambiente. 

Na foto, os dois cachorros são da mesma cor. 

E O VESTIDO?

O vestido original é preto e azul. Mas a foto que circula possui uma espécie de filtro, um efeito causado pela luz do ambiente que faz com que o fundo da imagem fique saturado – como no exemplo do Photoshop, quando a relação de brilho e contraste é alterada. 

A foto, portanto, não mostra com nitidez as cores originais (preto e azul), abrindo brechas para que seu cérebro interprete mais livremente. “Em cores que são nuances, que chegam em algum tipo de limite, essa variação é mais acentuada”, diz Guimarães.  “Mas basta colocar a foto em um ambiente mais claro, ou escuro, para ver o vestido mudando de cor”.

Embora a explicação seja racional, é difícil aceitar o fato de que aquilo que nos parece tão certo, como uma cor, não passa de uma interpretação do cérebro. Se a história do vestido quase tirou seu sono, não se preocupe. O estudo das cores é um assunto tão aberto que sua análise não começou com cientistas, mas sim com filósofos. Foi no século 19 que nomes como Goethe e Schopenhauer debatiam sobre como as cores eram percebidas em diferentes situações. Esse tipo de estudo teve impacto em diferentes áreas, da pintura à própria medicina – inevitavelmente, chegando ao debate sobre uma simples foto de vestido postada séculos depois na internet. 

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