Repórter
Publicado em 28 de abril de 2026 às 14h37.
Um grupo de alpinistas do Nepal liberou, nesta terça-feira, 28, a rota de acesso ao cume do Monte Everest, após duas semanas de bloqueio causado por um grande bloco de gelo. A obstrução elevava o risco e poderia atrasar expedições na temporada atual.
A operação foi conduzida por especialistas conhecidos como "icefall doctors" (especialistas em cascatas de gelo), responsáveis por preparar o trajeto com cordas antes do início das subidas. O trabalho havia sido interrompido pela presença de um serac — formação de gelo instável — na Cascata de Gelo de Khumbu, considerada um dos trechos mais críticos da rota nepalesa.
"Uma equipe de 21 pessoas, incluindo oito especialistas em cascata de gelo, subiu, esta manhã, abrindo a rota até o acampamento 1", declarou Lakpa Sherpa, da 8K Expeditions, à agência AFP. O grupo ainda monitora o bloco de gelo, que permanece no local.
"O serac continua lá, então o risco continua... Esperamos que derreta em breve", afirmou Lakpa Sherpa. O histórico recente inclui acidentes na região: em 2023, três alpinistas morreram após serem atingidos por gelo na mesma área.
O governo do Nepal emitiu mais de 900 permissões de escalada para a temporada de primavera, entre abril e junho, sendo 425 destinadas ao Everest. No campo-base, uma estrutura com capacidade para mais de mil pessoas foi montada para receber montanhistas e equipes de apoio.
A rota mais utilizada pelo lado nepalês começa pela Cascata de Gelo de Khumbu, uma geleira marcada por fendas e blocos instáveis. O movimento constante do gelo, intensificado pelo aquecimento global, amplia os riscos para as expedições.
"Não entanto, não estamos enviando pessoas lá para cima", afirmou Lukas Furtenbach, da Furtenbach Adventures, ao citar a expectativa por autorização das autoridades responsáveis.
Escalado pela primeira vez em 1953, o Everest registra aumento no número de tentativas a cada temporada. O fluxo elevado gera filas em trechos estreitos, com impacto direto na segurança das expedições.
Segundo o Ministério do Turismo do Nepal, cerca de 700 pessoas alcançaram o cume pela vertente nepalesa no último ano, enquanto aproximadamente 100 utilizaram a rota norte, via China.
*Com informações da Agência AFP.