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Entenda por que a ISS não será descartada no Sol após o fim da missão

Especialistas explicam por que a alternativa parece simples, mas esbarra em um grande desafio da física

Sol: estação espacial deverá ser desativada por meio de uma reentrada controlada (Freepik)

Sol: estação espacial deverá ser desativada por meio de uma reentrada controlada (Freepik)

Publicado em 4 de julho de 2026 às 08h51.

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A Estação Espacial Internacional (ISS) deve encerrar suas atividades por volta de 2030, após mais de três décadas em órbita. Com o fim da missão se aproximando, voltou a circular a ideia de que a estrutura poderia ser enviada ao Sol como forma de descarte definitivo. No entanto, especialistas afirmam que essa alternativa é muito mais difícil do que parece devido às leis da física.

Em vez disso, a Nasa e seus parceiros internacionais planejam realizar uma reentrada controlada da ISS na atmosfera terrestre com o auxílio de uma nave de desorbitação desenvolvida pela SpaceX.

De acordo com explicações reunidas pelo IFLScience, com base em informações da Nasa e de especialistas em astronomia e exploração espacial, a maior parte da estrutura será destruída durante a reentrada, enquanto os fragmentos remanescentes deverão cair em uma região remota do Oceano Pacífico.

A Terra leva a ISS em alta velocidade ao redor do Sol

Embora o Sol seja o maior objeto do Sistema Solar, fazer uma espaçonave cair diretamente nele está longe de ser uma tarefa simples. Isso acontece porque a Terra se desloca ao redor do Sol a cerca de 107 mil quilômetros por hora. Como a Estação Espacial Internacional orbita o planeta, ela também compartilha praticamente toda essa velocidade.

Assim, qualquer objeto lançado a partir da órbita terrestre continua viajando ao redor do Sol com uma grande velocidade lateral. Em vez de seguir em linha reta em direção à estrela, ele permanece em uma órbita ao seu redor.

Para que a ISS realmente caísse no Sol, seria necessário eliminar quase toda essa velocidade orbital, algo que exigiria uma quantidade gigantesca de combustível e energia.

Segundo os especialistas, essa manobra é muito mais complexa do que enviar uma nave para Marte ou para outros planetas do Sistema Solar.

Nem as sondas solares seguem uma trajetória direta

O sucesso de missões como a Parker Solar Probe, da Nasa, pode dar a impressão de que chegar perto do Sol é relativamente simples. Na prática, ocorre exatamente o contrário. A sonda precisou realizar diversas assistências gravitacionais utilizando o planeta Vênus para reduzir sua velocidade ao redor do Sol de forma gradual.

Essas manobras levaram anos e permitiram que a nave se aproximasse cada vez mais da estrela sem precisar de uma quantidade impossível de combustível.

Mesmo assim, a Parker Solar Probe é muito menor e mais leve do que a ISS. Enquanto a sonda pesa pouco mais de 600 quilos, a Estação Espacial Internacional tem aproximadamente 430 toneladas, tornando uma missão semelhante praticamente inviável.

Como será o fim da Estação Espacial Internacional?

Em vez de tentar enviar a estação ao Sol ou ao espaço profundo, a Nasa e as demais agências parceiras definiram um plano de desativação muito mais seguro.

A agência espacial contratou a SpaceX para desenvolver um veículo capaz de realizar a desorbitação controlada da ISS. A nave reduzirá gradualmente a altitude da estação até conduzi-la para uma reentrada planejada na atmosfera terrestre.

Grande parte da estrutura deverá se desintegrar durante a descida devido ao intenso calor provocado pelo atrito com a atmosfera. Os fragmentos remanescentes serão direcionados para uma região remota do oceano, longe de áreas habitadas.

Sem essas manobras, a estação perderia altitude naturalmente ao longo do tempo por causa do atrito residual da atmosfera terrestre e acabaria reentrando de forma descontrolada.

Por que a reentrada é considerada a melhor solução?

A Estação Espacial Internacional começou a ser montada em 1998 e recebe astronautas de forma contínua desde novembro de 2000.

Projetada inicialmente para operar por cerca de 15 anos, a plataforma permaneceu ativa por muito mais tempo graças a sucessivas manutenções e atualizações. Nos últimos anos, porém, o envelhecimento da estrutura passou a gerar preocupações, incluindo registros de pequenos vazamentos e desgaste de alguns módulos.

Diante desse cenário, as agências espaciais concluíram que a reentrada controlada representa a alternativa mais segura e tecnicamente viável para encerrar a missão.

Apesar de parecer uma solução definitiva, enviar a ISS ao Sol exigiria uma quantidade de energia muito superior à disponível para esse tipo de operação. Por isso, o plano continua sendo trazer a estação de volta de forma controlada, encerrando uma das mais importantes missões da história da exploração espacial.

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