Doença renal em gatos: tratamento experimental aumenta taxa de sobrevivência em estudo (Imagem gerada por IA/EXAME)
Repórter
Publicado em 27 de abril de 2026 às 08h47.
Uma startup japonesa solicitou aprovação regulatória para um novo tratamento contra insuficiência renal crônica em gatos, uma das doenças mais comuns e letais entre felinos.
O pedido foi feito pelo Institute for AIM Medicine ao Ministério da Agricultura do Japão após resultados positivos em testes clínicos em fase inicial.
O fundador da empresa, Toru Miyazaki, afirmou que o estudo mais recente mostrou aumento significativo na sobrevida dos animais tratados. A doença, segundo ele, afeta a maioria dos gatos ao longo da vida e frequentemente leva à morte por insuficiência renal terminal.
Os dados que embasam o pedido foram publicados no The Veterinary Journal. O estudo acompanhou, por um ano, 26 gatos — sendo 11 tratados com a nova terapia e 15 no grupo de controle.
Entre os animais que receberam o tratamento, a taxa de sobrevivência acumulada ficou entre 80% e 83%. Já entre os que não foram tratados, o índice foi de cerca de 20%, indicando uma diferença significativa de desfecho clínico.
O desenvolvimento do medicamento chegou a ser interrompido durante a pandemia de covid-19 por falta de recursos. A pesquisa foi retomada após doações que somaram cerca de 300 milhões de ienes entre 2021 e 2022.
A terapia é baseada na proteína AIM (Apoptosis Inhibitor of Macrophage), descoberta pelo próprio Miyazaki em 1999. Presente naturalmente no sangue, a proteína atua na limpeza de resíduos celulares no organismo.
Em condições normais, a AIM permanece inativa, ligada a anticorpos do tipo IgM. Quando há acúmulo de resíduos — como proteínas danificadas ou detritos celulares —, ela se desprende, se liga a essas substâncias e sinaliza para que células do sistema imune, como macrófagos, façam a remoção.
Esse mecanismo é essencial para evitar inflamações e o desenvolvimento de doenças. Quando falha, resíduos se acumulam no organismo, contribuindo para o avanço de condições crônicas.
Pesquisas anteriores do grupo, publicadas em 2016, identificaram que gatos apresentam uma limitação específica: a AIM felina não consegue se dissociar adequadamente da IgM. Com isso, perde a capacidade de atuar na limpeza de resíduos nos rins.
O resultado é o acúmulo progressivo de substâncias tóxicas e inflamação crônica, que levam à insuficiência renal. A condição é considerada, na prática, incurável e uma das principais causas de morte em gatos domésticos.
A proposta do tratamento é justamente compensar essa falha — seja por meio da administração direta da proteína AIM, seja estimulando sua ativação no organismo.
Além da aplicação direta da proteína, os pesquisadores também desenvolvem compostos capazes de ativar a AIM já presente no corpo. Essa abordagem é vista como alternativa para uso contínuo, especialmente em doenças crônicas.
Enquanto a administração direta da proteína tende a ser mais eficaz em quadros agudos, a ativação gradual da AIM pode ajudar na prevenção e no controle da progressão da doença.
Outro avanço em desenvolvimento envolve métodos de diagnóstico precoce baseados na medição de níveis de AIM livre no sangue — um indicador de que o organismo não está conseguindo eliminar resíduos de forma eficiente.