Como a Mongólia conseguiu controlar o coronavírus

País orientou população a tomar medidas protetivas e fez rastreio de contato com casos confirmados. Até agora, há menos de 300 casos confirmados da doença.

A Mongólia, apesar de ser um país pobre, com parte da população de cultura nômade e que tem a maior fronteira territorial com a China, registrou até agora nenhuma morte por causa da Covid-19, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Universidade Johns Hopkins.

O sucesso da estratégia da Mongólia em lidar com a pandemia foi explicado por Davaadorj Rendoo, um epidemiologista no Centro Nacional de Saúde Pública na capital Ulaanbaatar, que conversou com a revita MIT Tech Review. O país orientou a população a seguir as medidas de higiene, utilizar máscaras em locais públicos e a fazer distanciamento social.

Além disso, as autoridades começaram a testar a população ainda antes de a doença aparecer e também rastrearam contato quando os primeiros casos surgiram. Segundo a Universidade Johns Hopkins, que compila informações de fontes oficiais sobre a Covid-19, a Mongólia teve até o momento menos de 300 casos da doença. Há apenas 20 pessoas doentes e o restante se recuperou.

"Nós não temos um grande sistema público de saúde. É por isso que nossa administração estava com bastante medo da Covid-19. Não temos muitos respiradores, por exemplo. Nós realmente temiamos que se tívessemos transmissão comunitária seria um desastre para nós", disse Rendoo ao MIT Tech Review. De acordo com Rendoo, as medidas preventivas fazem parte do cotidiano da Mongólia, que todos os anos lida com casos graves de gripe sazonal e pneumonia durante os meses mais frios do ano, entre novembro e fevereiro, e por isso a população adotou rapidamente medidas como higienização das mãos com frequência e uso de máscaras.

A Mongolia é um dos 20 maiores países do mundo em dimensão territorial, localizada sem saída para o mar entre a China e a Rússia. Apesar disso, tem 3,2 milhões de habitantes e um PIB per capita de apenas 4,2 mil dólares, menos da metade da riqueza produzida no Brasil (7,6 mil dólares), de acordo com dados do Banco Mundial.

 

Segundo o epidemiologista, o país começou a testar a população ainda em janeiro e em fevereiro começou a trazer a população que estava no exterior de volta para casa. O primeiro caso surgiu apenas em 9 de março, um francês que estava trabalhando na província de Dornogovi, ao sul da Mongólia. Desde então, o Ministério da Saúde vem conduzindo coletivas diárias para dar detalhes sobre novos casos e quais áreas têm maior risco.

"Nós fizemos uma política de rastreamento de contato muito extensa e identificamos 120 pessoas que tiveram contato com ele [o francês]", disse Rendoo. "Não é a primeira vez que fizemos rastreamento de contato; essa é uma política que faz parte do mandato do Centro Nacional de Comunicação de Doenças desde sua concepção. Fazemos isso para todos os tipos de doença, inclusive as sexualmente transmissíveis".

De acordo com o epidemiologista, o distanciamento social e o lockdown adotado no país também trouxeram outros efeitos, como redução dos casos de gripe sazonal, pneumonia, além de doenças o trato digestivo. Agora, com o verão há mais pessoas nas ruas e nos parques, fazendo atividades ao ar livre, as autoridades seguem preocupadas, conduzindo checagens de temperatura.

"Não podemos tomar nada como garantido. No Japão, eles levantaram as restrições e o vírus voltou. Até o final do verão não iremos afrouxar a quarentena. Mas as escolas terão que retornar em setembro. O que recomendamos para a população é que fiquem preparados, porque a tramissão comunitário pode estar virando a esquina", disse Rendoo.

 

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