Com Biden, Nasa pode deixar Marte de lado e atrasar planos de Elon Musk

Ao contrário de Trump, Biden pode fazer com que a Nasa foque esforços em pesquisas relacionadas às mudanças climáticas da Terra

Empossado como presidente dos Estados Unidos nesta quarta-feira (20), Joe Biden terá que definir o futuro da Nasa. Nos últimos anos, sob o governo de Donald Trump, a Nasa focou seu olhar para avanços espaciais – ainda mais em 2020, com o lançamento de astronautas em foguetes da SpaceX, de Elon Musk. Com Biden, as viagens ao espaço podem ficar em segundo plano.

Biden não fez grandes promessas em relação ao papel que seria desempenhado pela Nasa. Conforme reportado pelo SpaceNews, o partido Democrata lançou um relatório ainda durante o mês de julho informando que esperava que a agência espacial focasse seus esforços “para entender melhor como as mudanças climáticas estão impactando nosso planeta natal”.

O relatório em questão foi divulgado ainda no período eleitoral e não traz qualquer menção às missões recentes da Nasa para o envio de astronautas até a Estação Espacial Internacional (ISS) a bordo de foguetes da SpaceX. Também não há nenhuma indicação clara de que a agência espacial irá dar continuidade aos projetos iniciados durante o governo Trump.

“Gerenciar a capacidade da Terra de sustentar a vida humana e a biodiversidade provavelmente irá, na minha opinião, dominar uma agenda espacial civil para um governo Biden-Harris”, disse Lori Garver, ex-vice-presidente de administração da Nasa durante o governo de Barack Obama, durante um evento realizado ainda em novembro do ano passado.

Neste contexto vale destacar a saída de Jim Bridenstine, administrador da Nasa durante o governo de Trump. Em sua mensagem de despedida, o atual chefe da agência espacial criticou a polarização política em torno dos avanços espaciais.  “Dizer que os republicanos estavam indo para a Lua e os democratas estão indo para Marte é uma péssima maneira de encarar a exploração espacial”, afirmou.

Um trecho de destaque da mensagem é quando Bridenstine afirma que a Nasa precisa ter “constância de propósito”. Em outras palavras, o administrador pede para que a agência espacial dê continuidade aos avanços realizados nos últimos anos. Neste ponto, o retorno de astronautas para a Lua, incluindo a primeira mulher que deverá pisar em solo lunar, foi um dos exemplos.

Bridenstine esteve no comando da Nasa nos últimos dois anos e meio e foi escolhido a dedo por Trump para o cargo. O nome de quem deverá substituí-lo ainda não foi revelado por Biden, o que deve acontecer nos próximos dias já que Bridenstine deixa o cargo nesta quarta-feira. Há quem especule que, pela primeira vez, uma mulher poderá ocupar o cargo.

O discurso de Bridenstine parece ir em direção contrária ao que foi estabelecido no relatório do partido Democrata durante as eleições. Para deixar tudo ainda mais nebuloso, Biden disse pouco sobre a Nasa até agora. Mesmo depois de eleito, o político democrata ainda manteve a cautela para especular sobre o futuro da agência espacial.

“Uma das coisas que achei surpreendente é que a campanha de Biden não emitiu uma declaração de política espacial”, disse John Logsdon, fundador e ex-diretor do Instituto de Política Espacial da George Washington University. “Então, ficamos com a plataforma do Partido Democrata”, disse, em entrevista para o SpaceNews.

Em um raro pronunciamento sobre o assunto, afirmou que “está ansioso para liderar um programa espacial ousado e que continuará a enviar heróis astronautas para expandir a exploração espacial e derrubar as fronteiras científicas por meio de investimentos em pesquisa e tecnologia para ajudar milhões de pessoas aqui na Terra”.

A crise do novo coronavírus também deve impactar diretamente no trabalho da Nasa. Dos quase 96,4 milhões de casos da doença registrados no mundo, 24,4 milhões foram diagnosticados nos Estados Unidos. Foram 404 mil pessoas que morreram nos EUA vítimas de covid-19, um percentual significativo em relação aos 2 milhões de casos fatais da doença em todo o planeta.

“A prioridade é óbvia: covid-19, covid-19 e covid-19”, disse Mike Holland, vice-chanceler de políticas científicas e pesquisa estratégica da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos. "Há muito trabalho a ser feito para reconstruir, repensar e redesenhar a parte da preparação para cortes de saúde pública do orçamento de pesquisa e desenvolvimento.”

O impacto para Elon Musk

A definição das prioridades da Nasa vão impactar diretamente na operação da SpaceX. A companhia de exploração de espacial comandada por Elon Musk, que também é presidente da montadora Tesla, esteve diretamente envolvida com a agência espacial americana nos últimos anos com o desenvolvimento de foguetes e cápsulas para transportar astronautas até a ISS.

A união de forças público-privada foi inédita nos Estados Unidos e deu início a um novo capítulo no que diz respeito uma categoria de empresas que pode lucrar bilhões de dólares com negócios que podem ser literalmente de outro planeta. Vale destacar que a SpaceX já levantou mais de 5,4 bilhões de dólares em aportes de diferentes fundos de investimento e até da própria Nasa.

A SpaceX se tornou importante para a Nasa pois possibilitou que a agência abrisse mão dos foguetes russos. Os foguetes Falcon 9 são americanos e colocam um tempero a mais na eterna corrida espacial entre Estados Unidos e Rússia (que substituiu a União Soviética, uma rival direta no setor durante a década de 1960).

De qualquer forma, Musk parece já antecipar que talvez uma corrida para Marte não seja o foco nos próximos ano. No ano passado, sua empresa se juntou a uma iniciativa com a Nasa e a Agência Espacial Europeia (ESA) para lançar um satélite dedicado ao monitoramento dos efeitos das mudanças climáticas na Terra nos próximos anos.

 

De 0 a 10 quanto você recomendaria Exame para um amigo ou parente?

 

Clicando em um dos números acima e finalizando sua avaliação você nos ajudará a melhorar ainda mais.

Obrigado por ler a EXAME! Que tal se tornar assinante?


Tenha acesso ilimitado ao melhor conteúdo de seu dia. Em poucos minutos, você cria sua conta e continua lendo esta matéria. Vamos lá?


Falta pouco para você liberar seu acesso.

exame digital

R$ 9,90/mês

  • Acesse onde e quando quiser.

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.
Assine

exame digital + impressa

R$ 29,90/mês

  • Acesse onde e quando quiser

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.

  • Edição impressa mensal.

  • Frete grátis
Assine

Já é assinante? Entre aqui.

Atenção! A sua revista EXAME deixa de ser quinzenal a partir da próxima edição. Produziremos uma tiragem mensal. Clique aqui para saber mais detalhes.
Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade e, ao continuar navegando, você concorda com estas condições.