Cientistas encontram mais de 140 mil espécies de vírus no intestino humano

Os pesquisadores analisaram cerca de 30.000 amostras e descobriram um novo grupo de vírus antes desconhecido presente no microbioma intestinal

Pesquisadores dos institutos britânicos Wellcome Sanger e EMBL's European Bioinformatics (EMBL-EBI) identificaram mais de 140.000 espécies de vírus que habitam o intestino humano.

Os vírus são as entidades biológicas mais numerosas do planeta. Já o intestino humano contém centenas de milhares de bacteriófagos, vírus que podem infectar as bactérias também presentes no órgão. Por enquanto, ainda não se sabe muito sobre o papel delas na saúde humana, mas o desequilíbrio no microbioma intestinal pode levar a doenças como obesidade, alergias e a Doença Inflamatória Intestinal.

O artigo publicado, porém, abre novos caminhos para a compreensão de como os vírus vivem no intestino e influenciam o corpo. Os pesquisadores analisaram 28.060 amostras de microbioma intestinal e 2.898 de bactérias isoladas cultivadas do intestino humano, coletadas em diferentes partes do mundo. Eles usaram um método de sequenciamento de DNA chamado metagenômica.

Entre as dezenas de milhares de vírus descobertos, um novo grupo de vírus foi identificado, ao qual os autores se referem como Gubaphage. Por enquanto, ainda não há como saber as funções exatas do Gubaphage, mas ele e o crAssphage, grupo de vírus mais prevalente no órgão, que foi descoberto em 2014, parecem infectar tipos semelhantes de bactérias intestinais.

"É importante lembrar que nem todos os vírus são prejudiciais, mas representam um componente integrante do ecossistema intestinal", diz o pesquisador português Alexandre Almeida, pós-doutorado no EMBL-EBI e no Instituto Wellcome Sanger. "Essas amostras vieram principalmente de indivíduos saudáveis ​​que não compartilhavam nenhuma doença específica. É fascinante ver quantas espécies desconhecidas vivem em nosso intestino e tentar desvendar a ligação entre elas e a saúde humana."

Os resultados do estudo formam a base do Gut Phage Database (GPD), um banco de dados contendo 142.809 genomas de vírus. Para o autor sênior do estudo, Dr. Trevor Lawley, a pesquisa sobre bacteriófagos está passando por um "renascimento". "Este catálogo de alta qualidade e grande escala de vírus intestinais humanos chega na hora certa para servir como um modelo para orientar a análise ecológica e evolutiva em estudos futuros", disse.

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