Cientistas criam exoesqueleto que usa apenas energia cinética para funcionar

O aparelho conseguiu os mesmos números de dispositivos parecidos, sem precisar ser alimentado por energia externa

Pela primeira vez, pesquisadores conseguiram melhorar a forma pela qual os humanos andam sem usar uma fonte de energia externa, de acordo com um estudo publicado na revista Nature.

O exoesqueleto, que pode ser encaixado em qualquer tênis de corrida, reduz o déficit energético de uma caminhada em cerca de 7%, quantidade que pode ser útil para pessoas que tem dificuldade de andar ou que precisam realizar longas caminhadas.

Uma redução nessa quantidade não é completamente nova. Em 2013, um grupo de pesquisadores conseguiu reduzir o custo energético de uma caminhada em 6% graças a um sistema de ar comprimido. Outros cientistas conseguiram criar exoesqueletos alimentados por motores e baterias.

Mas o aparelho criado pelo grupo da universidade da Carolina do Norte é inédito por não precisar ser alimentado por energia externa. O aparelho simplesmente converte a energia que passa pelos músculos da panturrilha e tendões para fibra de carbono, metais e uma polia.

Ao contrário de outros músculos, a panturrilha não é acionada ao se diminuir e contrair. Ao contrário, ela gera uma ligação rígida pela qual o tendão de Aquiles pode se esticar ou comprimir.

Esse movimento é replicado pelo exoesqueleto, graças a um sistema de polias e embreagens. Quando o calcanhar bate no chão, um instante no qual o tendão de Aquiles geralmente estimula a panturrilha com muita força, a embreagem estimula a polia do exoesqueleto.

“A partir daí, a inércia do corpo é trocada com o elástico da polia, que aproveita o movimento para frente”, afirma Gregory Sawicki, fisiologista da universidade da Carolina do Norte que é coautor do estudo.

Assista a um vídeo de demonstração do exoesqueleto:

O aparelho é muito leve, pesando entre 300 e 500 gramas. Isso faz com que o usuário não gaste energia carregando esse peso extra no corpo. Segundo seu criador, após 20 minutos as pessoas nem percebem que estão vestindo o exoesqueleto.

O problema é que, até agora, o aparelho funciona apenas em algumas velocidades. “O dispositivo que planejamos irá quebrar durante uma corrida, por exemplo”, afirma Sawicki. Os pesquisadores buscam encontrar uma forma de criar um exoesqueleto mais robusto que aguente grandes impactos.

Por causa das regulações que envolvem aparelhos medicinais, o exoesqueleto deve ser lançado inicialmente para uso recreativo, custando pouco menos de 1 mil dólares.

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