Chuva de meteoros provovou extinção dos dinossauros

A conclusão é a de que uma cratera de 600 metros de profundidade foi aberta com o meteoro, que devastou o que é hoje a Ucrânia central
Novo estudo muda as teorias até então aceitas sobre a extinção dos dinossauros
Novo estudo muda as teorias até então aceitas sobre a extinção dos dinossauros
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Paula RothmanPublicado em 07/10/2011 às 17:02.

São Paulo -– Há 65 milhões de anos, um asteróide caiu no Golfo do México, causando a extinção de diversas formas de vida na Terra, inclusive dos dinossauros.

Até agora, esta foi a história mais bem aceita para a grande extinção no nosso planeta –  mas um novo estudo pode estar prestes a mudar esta teoria.

E se, ao invés de um único grande impacto, que gerou a cratera de Chicxulub, no México, a Terra tivesse sido atingida diversas vezes? Uma chuva de meteoros que, ao longo de milhares de anos, foi enfraquecendo a população de dinossauros até que o impacto final há 65 milhões de anos acabou por exterminá-los de vez.

A teoria tomou forma após análises mais detalhadas da cratera de Boltysh, descoberta em 2002 na Ucrânia. Liderada pelo Prof. David Jolley, da Universidade de Aberdeen, uma equipe de pesquisadores decidiu checar se este impacto ocorreu antes, simultaneamente ou depois do evento do Novo México.

"Trabalhos anteriores ligavam o impacto no Novo México à extinção dos dinossauros e outros animais há 65 milhões de anos", disse Jolley em entrevista à INFO Online. "Nós queríamos saber qual papel teve o evento da Ucrânia nisso. Se fosse posterior ao do Novo México, ele provavelmente não seria tão importante para a extinção em massa".

No entanto, as análises da rocha derretida, que mediram a maneira como os isótopos das rochas mudam ao longo dos anos, mostraram que o impacto ucraniano ocorreu dois mil anos antes do evento no México. "Quando descobrimos que os eventos estavam separados por muito pouco tempo  (em termos geológicos), percebemos que a extinção poderia ser resultado de efeitos cumulativos de impactos, com o do Novo México exterminando populações de dinossauros já abaladas", diz Jolley.

O estudo, que é financiado pelo Natural Environment Funding Council do Reino Unido desde 2006, analisou ainda pólen e esporos de plantas encontrados em camadas no local do impacto ucraniano. A conclusão é a de que uma cratera de 600 metros de profundidade foi aberta com o meteoro, que devastou o que é hoje a Ucrânia central.

A fumaça jogada para cima no impacto teria alterado o clima por um curto período de tempo após o impacto. Após cerca de dois mil ou cinco mil anos, plantas, especialmente samambaias e arbustos floridos, cobriram a área que foi devastada. Como a cratera estava cheia d’água, o pólen e os esporos que caíram nela foram preservados. Essas mesmas plantas também surgiram ao redor da cratera no Novo México.

Mas, seriam esses indícios suficientes para  concluir que os dinossauros foram extintos por uma chuva de meteoros, e não um único corpo?

"Sim. Nossa pesquisa ressalta a possibilidade de que não existam apenas dois impactos de meteoritos na época", explica Jolley. "Probabilidades estatísticas usadas medindo o tamanho dos impactos que caíram no Novo México e na Ucrânia dão quase certeza de que houve outros impactos na Terra nesse período. Nós não os vemos porque não os encontramos ainda – ou então eles caíram no oceano”.

A pesquisa foi publicada na revista Geology.

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