Câncer cerebral: nanopartículas foram desenvolvidas para localizar células tumorais microscópicas (Freepik)
Redatora
Publicado em 28 de agosto de 2026 às 15h05.
O glioblastoma, um dos tipos mais agressivos de câncer cerebral, pode deixar células tumorais no cérebro mesmo após a cirurgia. Um novo estudo desenvolveu nanopartículas capazes de ajudar a localizar essas células e, depois, destruir parte do tumor que permanece no local.
A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Tecnologia de Sydney (UTS), Harvard e Universidade de Henan. O trabalho foi publicado no início deste mês na revista Science Translational Medicine.
Os pesquisadores desenvolveram uma plataforma de nanoenzimas com duas funções diferentes. A mesma estrutura pode ser usada primeiro para ajudar a visualizar o tumor e depois para realizar um tratamento com luz.
Durante a cirurgia, um corante presente nas nanopartículas emite fluorescência quando recebe luz no infravermelho próximo. Esse sinal permite identificar pequenos agrupamentos de células tumorais.Segundo os pesquisadores, o sistema conseguiu detectar grupos com cerca de 44 micrômetros, além de usar uma molécula de direcionamento para ajudar as nanopartículas a atravessar a barreira hematoencefálica e se concentrar nas células do glioma.
Depois que o tumor visível é removido, a plataforma pode ser ativada novamente com o mesmo tipo de luz. Nessa etapa, os átomos de platina presentes no material transformam o peróxido de hidrogênio produzido pelo próprio tumor em oxigênio.
O processo ajuda a alterar o ambiente de baixa concentração de oxigênio que pode dificultar a ação do tratamento. Ao mesmo tempo, a luz produz calor e moléculas reativas capazes de danificar as células tumorais microscópicas que não foram removidas na cirurgia.
Para avaliar esse efeito, os pesquisadores testaram a abordagem em modelos de glioblastoma em camundongos. Os animais foram submetidos à cirurgia e, depois, receberam o tratamento com as nanopartículas.
Nos testes, a abordagem reduziu a recorrência do tumor após a cirurgia. Segundo o estudo, 100% dos animais tratados estavam vivos após 60 dias, enquanto a sobrevida dos camundongos submetidos apenas à cirurgia foi de 42 dias.
Os testes de acompanhamento também não identificaram comprometimentos neurológicos ou motores associados ao tratamento nos animais avaliados.
O glioblastoma se espalha pelo tecido cerebral próximo ao tumor. Isso dificulta a retirada completa durante a cirurgia, já que remover áreas saudáveis pode causar danos ao cérebro.
Outro obstáculo é a barreira hematoencefálica, que limita a chegada de alguns medicamentos ao tecido cerebral. Por isso, células que permanecem após a operação podem contribuir para o retorno da doença. De acordo com as informações da pesquisa, a sobrevida em cinco anos para pessoas com glioblastoma é de cerca de 7%.
Apesar dos resultados observados nos camundongos, a tecnologia ainda está em uma fase inicial de desenvolvimento. Os pesquisadores destacam que será necessário verificar se a capacidade de localizar células tumorais e tratar o tecido residual pode ser reproduzida em um cérebro humano, que é maior e tem características diferentes dos modelos usados no experimento.