Busca pela vacina fez laboratórios ganharem bilhões durante a pandemia

Antes quase desconhecidas, empresas como Novavax, BioNTech e Moderna acumulam altas gigantescas no valor de suas ações listadas em bolsas de valores

Empresas atuantes no desenvolvimento de uma vacina contra o novo coronavírus estão aumentando em bilhões de dólares seus valores de mercado a partir da valorização de suas ações listadas em bolsa. Um levantamento realizado pela EXAME mostra como o vírus Sars-CoV-2 se tornou o negócio lucrativo para acionistas de companhias do setor farmacêutico que antes passavam quase desapercebidas aos investidores.

As empresas que mais cresceram no ano foram companhias menores, como as alemãs BioNTech e CureVac, além das americanas Moderna e Novavax – esta última era uma nanica na indústria farmacêutica global. Gigantes que com centenas de bilhões de dólares em valor de mercado como Pfizer (EUA), AstraZeneca (Suécia/Reino Unido) e Johnson & Johnson (EUA) cresceram em ritmo inferior.

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BioNTech

Avaliada em 28,6 bilhões de dólares, a empresa alemã BioNTech começou o ano avaliada em pouco mais de 8,7 bilhões de dólares. De lá para cá, a empresa já aumentou seu valor de mercado em 250%. Isso significa que quem investisse 10 mil dólares na companhia em janeiro, hoje poderia vender as ações por 25 mil dólares.

No último relatório financeiro, referente ao terceiro trimestre deste ano, a companhia apresentou receita de 67,5 milhões de euros no trimestre, mais do que o dobro dos 28,7 milhões de euros do mesmo período em 2019. Por outro lado, a empresa teve prejuízo de 210 milhões de euros no trimestre, número sete vezes maior do que os 30 milhões de euros de perdas em 2019.

Ao lado da gigante farmacêutica Pfizer, a BioNTech conseguiu desenvolver o que é considerada agora a vacina mais promissora de todas as 214 em desenvolvimento. Aprovada no Reino Unido, a proteção tem como base o RNA mensageiro e é administrada em duas doses para chegar a uma eficácia maior — ambas são administradas com uma distância de 21 dias entre elas, sendo que a maior taxa de eficácia é encontrada logo após a segunda dose.

A imunização pode ter até 1,3 bilhão de doses globais produzidas no ano que vem — e 100 milhões até o final deste ano. Em novembro, as farmacêuticas mostraram que a imunização é 95% eficaz na prevenção da covid-19. 

CureVac

Também da Alemanha, a CureVac viu o valor de suas ações praticamente dobrar desde agosto, quando abriu capital, com uma valorização de quase 90% no valor dos papéis listados na Nasdaq. A companhia com sede em Tuebingen atingiu valor de mercado de 18,2 bilhões em dezembro. Quem investiu 10 mil dólares, hoje pode vender as ações por 18,2 mil dólares.

Em relação aos resultados, a CureVac reportou receita de 5,2 milhões de euros no terceiro trimestre. O número pode não ser muito alto, as é 371% maior do que o registrado no mesmo trimestre do ano passado. A empresa não obteve lucro no trimestre e fechou o período com prejuízo de 7 milhões de euros, quase o dobro do registrado em 2019.

A vacina experimental da alemã, chamada de CVnCoV, está ainda no começo dos testes, mas, segundo testes preliminares, foi capaz de induzir uma resposta imune nos voluntários em testes de fase um, realizados com 250 pessoas. A companhia utiliza em sua imunização a mesma tecnologia de outras empresas, como a Moderna e a BioNTech/Pfizer. A fase 2b/3 de testes deve ser iniciada já no final deste ano.

Novavax

A Novavax é a empresa que mais se valorizou no ano, com os papéis acumulando a gigantesca alta de mais de 3.100%. A empresa iniciou o ano valendo 128,7 milhões de dólares e está avaliada em dezembro em 8 bilhões de dólares. Quem investiu 10 mil dólares em ações da Novavax em janeiro, hoje pode vender os ativos por mais de 310 mil dólares.

Nos resultados financeiros do último trimestre, o terceiro, a companhia com sede em Maryland, nos EUA, reportou receita de 157 milhões de dólares no período, apenas 2,5 milhões de dólares a mais do que no ano passado. O prejuízo do período ficou em 197,3 milhões de dólares, um rombo 10 vezes maior do que as perdas de 18 milhões de dólares em 2019.

A companhia americana nunca produziu uma vacina em mais de três décadas de existência. A fórmula de sua imunização usa proteínas do próprio vírus para ativar uma resposta imune. Para a realização da fase três de testes clínicos, a última antes de um pedido de aprovação, a Novavax incluirá idosos (cerca de 25% dos voluntários deve ter mais de 65 anos) e ocorrerá no Reino Unido, em parceria com o governo. 10 mil voluntários devem receber as doses da vacina experimental.

Moderna

A americana Moderna iniciou o ano avaliada em 6,4 bilhões de dólares. Em dezembro, a empresa atingiu valor de mercado de 60,6 bilhões de dólares, um aumento de 846%. Em termos leigos: quem investiu 10 mil dólares em janeiro, hoje pode vender as ações por algo próximo de 84,6 mil dólares.

A empresa que cresceu muito a partir de setembro (na época valia cerca de 30 bilhões de dólares) faturou 158 milhões de dólares no terceiro trimestre, um aumento considerável em relação aos 17 milhões de dólares registrados em 2019. O prejuízo do trimestre ficou em 233,6 milhões de dólares, 89,6% a mais do que no mesmo período do ano passado.

Segundo a companhia, sua vacina tem 94,5% de eficácia em resultados preliminares divulgados sobre a última fase de testes. Para chegar a conclusão, 30 mil voluntários foram testados nos Estados Unidos, sendo que metade recebeu as duas doses da proteção, com um mês de diferença entre elas, enquanto o resto participou do grupo de placebo.

A expectativa da companhia é pedir uma aprovação emergencial em breve e ter 20 milhões de doses disponíveis nos Estados Unidos, produzindo cerca de 500 milhões de doses anualmente. A vacina, que tem como base o RNA do vírus, permanece estável em temperaturas entre 2 e 7 graus – semelhante a de uma geladeira doméstica – por até 30 dias — um bônus quando comparada a outras vacinas.

Gigantes do setor

A Johnson & Johnson iniciou o ano avaliada em 384,2 bilhões de dólares e sofreu uma queda vertiginosa no valor de suas ações em março, quando a empresa esteve avaliada em 293 bilhões de dólares. A companhia se recuperou ao longo dos anos e no pregão desta sexta-feira (4), estava avaliada em 394,4 bilhões de dólares.

A receita do terceiro trimestre da gigante americana ficou em 21 bilhões de dólares, 1,7% a mais do que a registrada em 2019. A receita líquida, porém, dobrou no período de um ano e atingiu a cifra de 3,5 bilhões de dólares. Na divisão farmacêutica da empresa, que cuida da criação de uma vacina para a covid-19, a receita cresceu 5% para 11,4 bilhões de dólares.

A Pfizer passou por grandes oscilações de valor durante o ano. Em janeiro, a companhia estava avaliada em 217 bilhões de dólares, valor que chegou a despencar para 158 bilhões de dólares em março e passou a oscilar entre 210 bilhões e 180 bilhões de dólares nos meses que se seguiram. A companhia negocia no pregão desta sexta-feira (4) avaliada em 223 bilhões de dólares.

Em seus resultados trimestrais, a Pfizer apontou receita de 12,1 bilhões de dólares, 4% menor do que a registrada no ano passado. Já o resultado líquido foi de 2,2 bilhões de dólares, queda de 71% ante ao mesmo período de 2019 da empresa com sede em Nova York.

A anglo-sueca AstraZeneca foi a que obteve a maior valorização entre as gigantes do setor. A companhia que iniciou o ano valendo 132 bilhões de dólares acumula alta de 4,6%. Não é muito, claro. Mas quem aproveitou as oscilações no valor da companhia pode ter faturado um pouco mais no mercado de capitais, conforme mostra o gráfico abaixo.

No balanço do terceiro trimestre, a AstraZeneca registrou receita de 6,6 bilhões de dólares, 2,7% a mais do que o registrado no mesmo período de 2019.O lucro líquido do período mais do que dobrou no período de doze meses, passando de 299 milhões para 648 milhões de dólares registrados no terceiro trimestre deste ano.

As vacinas em potencial

Das 51 em fases de testes, apenas 13 estão na fase 3, a última antes de uma possível aprovação. Confira quais são abaixo:

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