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Pesquisadores brasileiros avançam em estudo sobre super imunes à covid-19

Pesquisa que analisou casais sorodiscordantes de São Paulo quer entender como algumas pessoas são naturalmente resistentes à infecção pelo novo coronavírus

Um homem de 70 anos foi hospitalizado por covid-19, enquanto sua esposa e sogra, que moram na mesma casa, não exibiram nenhum sinal da doença. Considerando a alta taxa de infecção do coronavírus, como a ciência explica casos como esse?

Pesquisadores brasileiros estão indo atrás das respostas para entender como algumas pessoas são naturalmente resistentes à infecção pelo novo coronavírus. Nesta terça-feira, 28, a equipe divulgou um estudo com as mais novas descobertas no periódico científico Frontiers in Immunology.

Em meados de 2020, os cientistas do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) anunciaram à imprensa que estavam recrutando voluntários para o projeto com apoio da FAPESP. Ao todo, eles foram contatados por cerca de 1.000 casais.

“Achávamos que casos como esse eram raros e ficamos surpresos ao receber tantos relatos. Selecionamos 100 casais com características comparáveis, incluindo idade e ancestralidade genética, e coletamos amostras de sangue para análises detalhadas ”, disse Mayana Zatz, coautora do artigo, professora do IB-USP e pesquisadora principal do Centro de Pesquisas do Genoma Humano e Células-Tronco (HUG-CELL) da FAPESP. As informações são do EurekaAlert.

Após um teste sorológico que excluiu casos assintomáticos (pessoas infectadas, mas que não tinham sintomas), restaram 86 casais que eram "genuinamente sorodiscordantes, apenas um dos cônjuges tinha anticorpos contra o vírus em seu sangue", explicou Mateus Vidigal, um dos responsáveis pelo estudo.

Nesta primeira parte do estudo, foi descoberto que enquanto os homens eram maioria no grupo suscetível (53 vs. 33), as mulheres predominavam no grupo resistente ao coronavírus (57 vs. 29).

Vale ressaltar que o estudo foi conduzido antes das primeiras ondas de variantes, como a brasileira P.1. Portanto, os resultados poderiam ser diferentes caso fossem feitos nos dias de hoje, com cepas mais transmissíveis circulando.

Quais foram as descobertas?

Para tentar descobrir por que algumas pessoas são super imunes à covid-19, os pesquisadores decidiram focar em dois grandes grupos de genes associados à resposta imune: o MHC e o LCR.

Analisando o grupo MHC, eles descobriram que variantes dos genes MICA e MICB pareciam influenciar a resistência ao SARS-CoV-2.

Quando as células passam por algum tipo de estresse (como, por exemplo, a chegada de um vírus), a expressão dos genes aumenta e leva à produção de moléculas que se ligam aos natural killers (NKs), células de defesa, para tentar evitar que a doença se desenvolva no organismo.

Os pesquisadores acreditam que os cônjuges suscetíveis ao coronavírus têm variantes genômicas (como o MICA e o MICB) com uma resposta mais fraca na produção de moléculas, que inibem o trabalho dos NKs. Nas pessoas mais resistentes, a resposta é mais robusta.

Mesmo que as pesquisas por trás do estudo, que já foi revisado por pares, sejam confirmadas, existem outros mecanismos imunológicos que ajudam a determinar a resistência de uma pessoa ao vírus.

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