Bares e academias podem piorar situação da covid-19

Número de casos pode aumentar por interferência dos superspreaders, pessoas que são mais infecciosas do que é considerado normal

Muitos países no mundo têm passado por processos de reabertura total ou parcial da economias, como é o caso do Brasil. Uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) e pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontou que o afrouxamento do distanciamento social em São Paulo, epicentro da doença no país, pode aumentar em até 71% o número de mortes causadas pelo novo coronavírus.

E um estudo realizado no Japão pode confirmar os perigos do afrouxamento. De acordo com os pesquisadores japoneses, o espalhamento da covid-19 no mundo pode piorar muito mais com as aglomerações em academias, festas, karaokês e bares.

Para chegar a essa conclusão, eles analisaram ao menos cinco infectados pelo vírus que participaram dos mesmos eventos --- todos aparentemente são superspreaders, como são chamados os indíviduos capazes de espalhar a doença mais do que o que é considerado normal. Os cientistas analisaram 61 acontecimentos de "superespalhamento", que aconteceram em hospitais, asilos e outras instituições do tipo, mas um pouco menos da metade aconteceu em shows musicais, restaurantes e escritórios.

Os resultados mostraram que pelo menos metade dos superespalhadores tinha menos de 40 anos de idade e 41% estavam assintomáticos quando passaram a doença, ou seja, não apresentavam sintomas do SARS-CoV-2. Um show no Japão, por exemplo, causou a infecção de mais de 30 pessoas, entre membros da equipe, cantores e público.

O mesmo acontece ao redor do mundo. Em Washington, nos Estados Unidos, 61 participantes de um coral se reuniram, compartilharam lanches e organizaram as cadeiras juntos no fim do evento, sem nenhum tipo de proteção. Um dos cantores, no entanto, estava infectado e não apresentava nenhum sintoma. Depois da confraternização, 53 ficaram doentes, 3 foram hospitalizados e dois morreram por conta da covid-19.

Um estudo recente sugere que 85% das transmissões são causadas por um superespalhador. Se o contato desses indivíduos fossem reduzidos em até 25%, a rapidez do contágio da pandemia poderia diminuir. O único problema é que ainda não existe uma forma de identificá-los.

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