Ciência

Após quase 8 anos, a missão BepiColombo inicia fase decisiva rumo a Mercúrio

Missão da ESA e da JAXA inicia uma sequência de etapas para colocar dois orbitadores ao redor do planeta e investigar sua formação e evolução

BepiColombo: sonda percorreu mais de 10 bilhões de quilômetros desde o lançamento, em outubro de 2018 (ESA)

BepiColombo: sonda percorreu mais de 10 bilhões de quilômetros desde o lançamento, em outubro de 2018 (ESA)

Publicado em 3 de setembro de 2026 às 11h31.

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Após quase oito anos de viagem pelo Sistema Solar, a missão BepiColombo iniciou nesta quinta-feira, 3, a fase de chegada a Mercúrio. A espaçonave foi lançada em outubro de 2018 e já percorreu mais de 10 bilhões de quilômetros em sua trajetória até o planeta.

A primeira etapa foi marcada pela separação do Mercury Transfer Module (MTM), módulo que impulsionou a nave durante a viagem. Segundo a Agência Espacial Europeia (ESA), a separação ocorreu conforme o planejado. A equipe de controle detectou o primeiro sinal Doppler indicando que o MTM havia se dividido do restante da espaçonave.

A BepiColombo é uma missão conjunta da ESA e da Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA). O objetivo é estudar Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol, e investigar sua formação, composição e ambiente espacial.

Chegada a Mercúrio ainda terá meses de operações

A separação do MTM é apenas o primeiro passo da fase de chegada. A partir de agora, a espaçonave seguirá uma sequência de manobras para entrar na órbita de Mercúrio.

De acordo com a ESA, a entrada do conjunto em órbita está prevista para 21 de novembro de 2026. Depois, os dois orbitadores científicos serão separados em dezembro.

O Mercury Planetary Orbiter (MPO), da ESA, estudará principalmente a superfície e a composição do planeta. Já o Mercury Magnetospheric Orbiter (Mio), da JAXA, investigará o ambiente magnético e espacial ao redor de Mercúrio.A previsão é que os dois equipamentos iniciem as observações científicas em abril de 2027.

Por que chegar a Mercúrio é tão difícil?

A proximidade de Mercúrio com o Sol torna a chegada ao planeta particularmente complexa. Uma espaçonave que viaje diretamente precisa perder grande quantidade de energia orbital para acompanhar a velocidade de Mercúrio.

Por isso, a BepiColombo utilizou propulsão elétrica e assistências gravitacionais ao longo da viagem. A missão realizou nove sobrevoos planetários para modificar gradualmente sua trajetória e se aproximar do planeta.

A estratégia permitiu reduzir a energia necessária para a inserção orbital. Em junho, a ESA desligou definitivamente os propulsores elétricos solares do módulo de transferência, preparando a missão para a etapa de chegada.

BepiColombo pode investigar os mistérios de Mercúrio

Mercúrio ainda é um dos planetas menos explorados do Sistema Solar. Apenas as missões Mariner 10, da Nasa, e Messenger, também da agência americana, haviam realizado estudos próximos ao planeta.

A BepiColombo pretende mapear Mercúrio em detalhes e investigar sua superfície, composição, campo magnético e exosfera. A missão também estudará estruturas conhecidas como “hollows”, depressões encontradas na superfície do planeta.

Outro objetivo é entender por que Mercúrio possui uma densidade tão elevada. Uma das hipóteses é que uma colisão gigantesca no início da história do Sistema Solar tenha removido parte de suas camadas externas.

Os dados obtidos pelos dois orbitadores poderão ajudar a testar essa e outras hipóteses sobre a formação e a evolução de Mercúrio.

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