Ciência

Antimatéria é manipulada com o uso de lasers pela primeira vez na história

Experimento realizado no Canadá pode ajudar a entender a formação do Universo e o comportamento da antimatéria em relação à gravidade

Cientistas estão tentando desbravar os mistérios que envolvem a antimatéria (SAKKMESTERKE/SCIENCE PHOTO LIBRARY/Getty Images)

Cientistas estão tentando desbravar os mistérios que envolvem a antimatéria (SAKKMESTERKE/SCIENCE PHOTO LIBRARY/Getty Images)

RL

Rodrigo Loureiro

Publicado em 1 de abril de 2021 às 10h55.

Uma pesquisa realizada no Canadá está tentando desvendar os mistérios que envolvem a antimatéria – a partícula oposta de cada partícula elementar, mas com carga elétrica inversa (explicamos melhor abaixo). Isso se deve ao fato de que os cientistas realizaram a primeira manipulação de antimatéria baseada a laser no mundo, o que poderá mudar para sempre a forma como este fenômeno é estudado.

Publicado na revista científica Nature, o estudo foi realizado por pesquisadores da Universidade de British Columbia, no Canadá, com a colaboração da Organização Europeia de Pesquisa Nuclear (Cern), que já estudava o assunto. O artigo descreve técnicas utilizadas para resfriar uma amostra até quase chegar ao zero absoluto.

Para entender melhor, é preciso explicar o que é uma antimatéria. Em uma explicação simplificada ,trata-se da contraparte sobrenatural da matéria. Esta parte, por sua vez, existe as mesmas características e comportamentos de sua “cópia original”, mas com carga elétrica oposta. E é justamente por esta diferença que é tão difícil estudá-la.

Nas leis da física, qualquer contato entre duas cargas elétricas opostas gera a aniquilação de uma delas. Por este motivo, é quase impossível criar e controlar átomos de antimatéria. Pelo menos, até agora.

"Com essa técnica, podemos abordar mistérios de longa data”, afirma Takamasa Momose, pesquisador da Universidade de British Columbia, ao Phys. O pesquisador cita como exemplos questionamentos acerca do comportamento da antimatéria em relação à gravidade e como isso poderia auxiliar no entendimento de simetrias na física.

No experimento de resfriamento realizado, a equipe foi capaz de realizar uma variedade de testes de precisão para investigar de forma mais profunda as características da antimatéria. “Essas respostas podem alterar fundamentalmente nossa compreensão do nosso Universo”, afirmou Momose.

Momose explica que os testes, realizados de forma inédita, podem oferecer pistas sobre os motivos pelos quais o universo é feito principalmente de matéria e não de partes iguais entre matéria e antimatéria.

Acompanhe tudo sobre:AstronomiaBuracos negros

Mais de Ciência

Flora intestinal distinta pode servir para o diagnóstico do Autismo, aponta estudo

Estudo sugere que expectativa de vida humana pode ter alcançado limite

Ozempic reduz risco de demência em pacientes diabéticos, revela estudo

O que causa a enxaqueca? Estudo revela nova pista sobre origem da doença

Mais na Exame