Ciência
Acompanhe:

Algoritmo prevê, no Facebook, quando um namoro vai acabar

Um algoritmo matemático analisa conexões no Facebook, identifica pares românticos e até prevê quando um relacionamento está próximo do fim


	Casal: o algoritmo de Kleinberg e Backstrom permite identificar os pares no Facebook

	 
	
 (Getty Images)

Casal: o algoritmo de Kleinberg e Backstrom permite identificar os pares no Facebook   (Getty Images)

M
Maurício Grego

28 de outubro de 2013, 17h32

São Paulo -- Dois pesquisadores criaram um algoritmo capaz de determinar com quem uma pessoa está saindo e quais as chances de o namoro chegar ao fim num futuro próximo. Para isso, dizem, basta analisar as interações no Facebook.

Os autores da pesquisa são Jon Kleinberg, cientista da universidade de Cornell, e Lars Backstrom, engenheiro do Facebook. Eles propõe um novo parâmetro para avaliar o relacionamento entre duas pessoas, que chamam de dispersão. 

A ideia é que amigos próximos tendem a ter muitas conexões em comum. Com um par romântico, acontece o oposto. Um acaba apresentando ao outro seus amigos da faculdade, do trabalho e de outros grupos sociais. Mas, muitas vezes, a única ligação da pessoa com esses outros grupos é seu cônjuge.

Uma alta dispersão entre duas pessoas indica que seus amigos mútuos não têm muitas conexões entre si. É o que geralmente acontece com os casais. Já amigos próximos têm baixa dispersão. 

Para verificar isso, eles usaram técnicas de análise de big data. Estudaram 8,6 bilhões de conexões de 1,3 milhão de usuários do Facebook. Essas pessoas foram selecionadas ao acaso entre aquelas que têm pelo menos 20 anos de idade, possuem entre 50 e 2 mil amigos na rede social e identificaram um parceiro amoroso. 


A análise, feita ao longo de dois anos, mostrou que a dispersão é um critério razoavelmente preciso para identificar um par romântico. O algoritmo acertou em 60% dos casos. Se os dois pesquisadores tivessem chutado, teriam acertado menos de 2%.

Esse critério funcionou melhor do que outros que Kleinberg e Backstrom tentaram usar. Ainda assim, há casos em que o relacionamento amoroso existe mas a dispersão é baixa. O algoritmo, então, não consegue reconhecer a relação. 

Os dois pesquisadores observaram que, quando isso acontece, geralmente significa que o relacionamento não vai bem. A chance de o namoro acabar nos próximos dois meses é, então, 50% maior do que nos casos em que a dispersão é alta.

Em outras palavras, os relacionamentos mais duradouros parecem ser aqueles que, de alguma forma, expandem o universo de cada pessoa, dando, a ela, conexões que ela não possuía.