Vacina de Oxford tem só 8% de eficácia em idosos? Não é bem assim

Aprovada no Brasil, vacina tem eficácia global de 70,42%

O jornal alemão Handelsblatt informou nesta segunda-feira que a eficácia da vacina da AstraZeneca, produzida em parceria com o a universidade Oxford, é de apenas 8% para idosos acima de 65 anos. As informações foram obtidas com fontes dentro do governo alemão.

Apesar disso, o país pretende vacinar a população com a vacina, mas espera dados da eficácia nas outras faixas etárias. De acordo com o jornal, a União Europeia deve aprovar o uso da vacina ainda nesta semana.

Após a publicação da reportagem do Handelsblatt, o governo alemão negou que a eficácia da vacina em idosos seja de apenas 8% e afirmou que o jornal pode ter confundido os dados.

Segundo o governo alemão, “é provável que o jornal que noticiou o fato tenha misturado os dados” e que de “cerca de 8% dos voluntários testados no estudo tinham entre 56 e 69 anos de idade”. “Não se pode deduzir de que a eficácia da vacina é de apenas 8% em pessoas mais velhas por conta disso”, disse o Ministério da Saúde alemão em um comunicado.

A informação do jornal alemão não foi publicada em nenhum estudo científico, nem foi confirmada pela Universidade de Oxford ou pelo laboratório AstraZeneca.

No Brasil, a vacina da AstraZeneca será aplicada a partir de uma parceria com a Fundação Oswaldo Cruz. A vacina já foi aprovada para ser usada no país, e a Anvisa confirmou a eficácia global do imunizante em 70,42%, validando estudo publicado no início de dezembro pela revista científica The Lancet.

O que dizem os estudos

Uma das principais armas no combate à pandemia, a vacina de Oxford e da AstraZeneca registrou uma eficácia de 70% nos testes realizados em um grupo de 11 mil voluntários no Brasil e no Reino Unido, segundo os dados publicados na revista The Lancet. Das 130 pessoas do estudo que contraíram a doença, 30 tinham tomado a vacina, o que resultou na eficácia global de 70%.

Entretanto, uma das limitações do estudo é o número reduzido de idosos que participaram dessa fase da pesquisa. Apenas 12% dos voluntários avaliados para medir a eficácia da vacina tinham mais de 55 anos, e somente 4% do total de voluntários tinham mais de 70 anos. Por isso, os próprios pesquisadores ressaltaram no estudo que havia dúvidas sobre a resposta do sistema imunológico dos idosos à vacina. Os cientistas apontaram a necessidade de fazer mais pesquisas para avaliar a eficácia em grupos com diferentes faixas etárias, o que é algo natural para uma pesquisa científica.

Mesmo com a dúvida, a eficácia global de 70% obtida nos estudos mostra que a vacina é eficaz considerando todo o conjunto da população. Os resultados indicam que a imunização seria suficiente para reduzir a circulação do vírus e combater a pandemia, ainda que a eficácia para diferentes grupos seja desconhecida.

As 10 milhões de novas doses se juntariam às duas milhões que chegaram da Índia na sexta-feira passada, dia 22. O novo lote do imunizante ainda está em negociação, e por isso ainda não há uma data definida de quando ele chegará ao Brasil.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) pretende importar mais 10 milhões de doses de vacinas prontas como forma de contornar o atraso da chegada dos insumos para a produção da vacina de AstraZeneca/Oxford no Brasil. Prevista inicialmente para chegar ao país ainda este mês, a matéria-prima vinda da China só deverá estar à disposição da Fundação na segunda semana de fevereiro.

O que dizem as empresas?

Procurada pela EXAME, a Fiocruz afirmou não ter dados de eficácia, pois o estudo clínico (que mede a efetividade da vacina) foi conduzido no Brasil pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Já a AstraZeneca alegou que os dados levantados na Alemanha estão incorretos. A farmacêutica emitiu o seguinte posicionamento.

Referente às informações divulgadas de que a eficácia da vacina AstraZeneca/Oxford é baixa (8%) em adultos com mais de 65 anos, os dados estão completamente incorretos. No Reino Unido, o JCVI (Joint Committee on Vaccination and Imunization), um comitê consultivo de especialistas independentes que assessora os departamentos de saúde do Reino Unido sobre imunização, apoiou o uso nesta população e o órgão regulador de saúde do Reino Unido (MHRA - The Medicines and Healthcare products Regulatory Agency) incluiu este grupo sem ajuste de dose na autorização para o fornecimento de uso emergencial.

Em novembro, publicamos dados na revista científica The Lancet demonstrando que adultos mais velhos mostraram fortes respostas imunológicas à vacina, com 100% dos adultos mais velhos gerando anticorpos específicos após a segunda dose.

Por fim, uma fonte da Universidade de Oxford consultada por veículos de imprensa do exterior teria afirmado que não há base para a preocupação quanto à eficácia da vacina entre idosos. "Os resultados dos ensaios clínicos já foram divulgados de forma transparente em publicações científicas revisadas por pares, e mostraram que a resposta imune entre adultos e idosos é similar".

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