Ciência

Além da pele: estudo aponta novo benefício da vacina contra herpes-zóster

Pesquisa com mais de 72 mil pessoas encontrou menor incidência de AVC, insuficiência cardíaca e obstrução das artérias do coração entre quem recebeu a vacina Shingrix

Vacina: Shingrix apresentou menor incidência de AVC e insuficiência cardíaca no estudo (Freepik)

Vacina: Shingrix apresentou menor incidência de AVC e insuficiência cardíaca no estudo (Freepik)

Publicado em 31 de agosto de 2026 às 18h54.

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Uma vacina contra o herpes-zóster foi associada a uma menor ocorrência de problemas cardiovasculares em pessoas com 60 anos ou mais. A relação apareceu em uma análise com mais de 72 mil participantes, que comparou as duas vacinas usadas nos Estados Unidos.

O estudo, publicado nesta quarta-feira, 26, na revista Nature Medicine, aproveitou uma mudança ocorrida em outubro de 2017, quando a Shingrix passou a substituir a Zostavax como principal vacina contra o herpes-zóster no país.

Como as duas vacinas foram comparadas

O herpes-zóster ocorre quando o vírus varicela-zóster, responsável pela catapora, volta a se manifestar no organismo.

Na análise, parte dos participantes recebeu a Zostavax entre abril e setembro de 2017. Quase todos os demais foram vacinados com a Shingrix no ano seguinte.

As duas vacinas têm formulações diferentes. A Zostavax utiliza uma versão viva e enfraquecida do vírus. Já a Shingrix contém uma proteína do vírus combinada ao AS01, substância usada para estimular a resposta do sistema imunológico.

Os pesquisadores acompanharam os participantes durante três anos e meio depois da vacinação.

Menor ocorrência de três problemas cardíacos

Nesse período, 10,9% das pessoas que receberam a Zostavax tiveram pelo menos uma das três condições analisadas: insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral (AVC) ou obstrução das artérias do coração. Entre quem recebeu a Shingrix, a proporção foi de 9,6%.

A diferença foi considerada estatisticamente significativa. O efeito diminuiu nos anos seguintes, mas continuou maior entre os participantes que haviam recebido a Shingrix.

Para os pesquisadores, a comparação entre as duas vacinas ajuda a reduzir algumas das limitações presentes em análises que confrontam apenas pessoas vacinadas e não vacinadas.

O que explica a diferença?

Os mecanismos ainda não estão completamente definidos. Pesquisas anteriores apontaram que o AS01, presente na Shingrix, pode alterar o comportamento de monócitos, células do sistema imunológico.

Essas mudanças podem levar à produção de menores quantidades de citocinas, moléculas envolvidas em processos inflamatórios.

Outra possibilidade considerada pelos pesquisadores é a própria prevenção do herpes-zóster. Como a Shingrix protege contra a doença de forma mais eficaz que a Zostavax, isso poderia estar relacionado à diferença observada nos problemas cardiovasculares.

O estudo ainda terá uma etapa de confirmação

Os pesquisadores também destacam que os resultados precisam ser avaliados em estudos capazes de investigar essa relação de forma mais direta.

Na Dinamarca, mais de 160 mil pessoas com 65 anos ou mais participarão de um estudo clínico em que receberão a Shingrix ou não serão vacinadas contra o herpes-zóster. Os primeiros resultados dessa pesquisa são esperados para 2027.

O trabalho atual acrescenta evidências à associação entre a vacina contra herpes-zóster e uma menor ocorrência de problemas cardiovasculares, mas ainda são necessários os resultados do estudo clínico para avaliar essa relação com maior segurança.

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