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A Terra está tremendo mais? O que os cientistas sabem sobre o aumento de terremotos

Sequência de grandes abalos na Venezuela, Japão e Colômbia em poucas semanas levantou dúvidas sobre a atividade sísmica global

Terremotos: impacto dos sismos varia conforme profundidade, localização e vulnerabilidade das estruturas (Freepik)

Terremotos: impacto dos sismos varia conforme profundidade, localização e vulnerabilidade das estruturas (Freepik)

Publicado em 31 de agosto de 2026 às 18h53.

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Nas últimas semanas, terremotos de grande magnitude atingiram diferentes regiões do mundo em intervalos curtos. A sequência inclui tremores na Venezuela, no Japão, na Colômbia e na Indonésia, além de outros abalos de menor magnitude na Espanha.

A proximidade entre esses eventos pode dar a impressão de que o planeta está passando por uma fase de maior atividade sísmica. Uma análise publicada pelo The Conversation, porém, explica por que essa conclusão não é sustentada pelos dados.

Por que vários terremotos podem acontecer em pouco tempo?

A superfície da Terra é dividida em placas tectônicas que se movimentam continuamente. Esse deslocamento acontece, em geral, a velocidades de alguns centímetros por ano.

Nas bordas dessas placas, tensões se acumulam ao longo do tempo. Quando a resistência das rochas é ultrapassada, ocorre uma ruptura brusca que provoca um terremoto. Esse processo não acontece de forma sincronizada em todo o planeta. Falhas localizadas nos Andes, no Caribe ou no sul da Península Ibérica, por exemplo, estão sujeitas a diferentes condições tectônicas.

Por isso, a ocorrência de vários tremores fortes em poucas semanas não significa que as placas tenham acelerado simultaneamente.

A sequência recente pode ser apenas uma coincidência

A professora María Belén Benito Oterino, da Universidade Politécnica de Madri, compara a distribuição dos terremotos ao lançamento de uma moeda. Mesmo quando as chances de cara e coroa são iguais, é possível obter uma sequência do mesmo resultado. Isso não significa que a probabilidade tenha mudado.

Com os terremotos, pode ocorrer algo semelhante. Existem períodos com vários eventos de grande magnitude e outros com menos ocorrências, sem que isso represente uma mudança na taxa global de atividade sísmica.

Análises do catálogo mundial de terremotos de magnitude 7 ou superior indicam que esses aparentes agrupamentos podem ser explicados pela variabilidade aleatória, além das sequências locais de réplicas.

Quando um terremoto pode estar ligado a outro?

De acordo com a especialista, há situações em que dois ou mais terremotos realmente podem ter relação. Depois de um grande tremor, por exemplo, é comum ocorrer uma série de réplicas na mesma região. A ruptura principal altera as tensões nas rochas próximas e pode favorecer novos abalos.

Também existem os chamados pares sísmicos, formados por terremotos de magnitude semelhante, com epicentros próximos e intervalo curto entre os eventos. Nesses casos, a ruptura de um primeiro terremoto pode redistribuir as tensões na crosta. Uma falha próxima que já esteja perto do limite de ruptura pode sofrer influência desse processo.

Esse mecanismo é conhecido como transferência de esforços de Coulomb. Ele, porém, perde intensidade rapidamente com a distância e não explica terremotos que acontecem em regiões muito afastadas.

Por que alguns terremotos chamam mais atenção?

A quantidade de terremotos não é o único fator que determina quantos deles chegam às notícias. Em média, ocorrem cerca de 16 terremotos de magnitude 7 ou superior por ano no mundo. Muitos acontecem no fundo do oceano, em grandes profundidades ou longe de áreas habitadas.

Por isso, dois terremotos de magnitude semelhante podem ter impactos completamente diferentes. A profundidade, a distância das populações, as características do terreno e a qualidade das construções influenciam o tamanho dos danos.

A sequência recente também pode parecer maior porque vários tremores atingiram áreas povoadas e provocaram destruição. Quando um terremoto grave recebe grande atenção, os eventos seguintes também tendem a ser mais percebidos.

Contudo, a sequência de terremotos na Venezuela, no Japão, na Colômbia, na Indonésia e na Espanha não é, por si só, evidência de uma fase de maior atividade sísmica global. A análise destaca que o planeta permanece tectonicamente ativo e continuará registrando grandes terremotos. O fato de vários deles ocorrerem em um intervalo relativamente curto, porém, não significa que tenha começado uma espécie de período excepcional de tremores.

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