Ciência

5 curiosidades sobre o Artemis II, a 1ª missão lunar americana em mais de 50 anos

Previsto para durar cerca de dez dias, o voo levará quatro tripulantes a bordo da nave Orion spacecraft

Artemis II: lançamento deve acontecer nesta quarta-feira, 1º, às 19h24 no horário de Brasília (Miguel J. Rodriguez Carrillo/AFP)

Artemis II: lançamento deve acontecer nesta quarta-feira, 1º, às 19h24 no horário de Brasília (Miguel J. Rodriguez Carrillo/AFP)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 1 de abril de 2026 às 19h19.

A missão Artemis II parte do Cabo Canaveral, na Flórida, nesta quarta-feira, 1. Essa será a primeira viagem tripulada à Lua desde o fim do programa Apollo, em 1972, e marcará a estreia do módulo Orion com humanos a bordo.

Previsto para durar cerca de dez dias, o voo levará quatro tripulantes a bordo da nave Orion spacecraft, lançada pelo foguete Space Launch System (SLS), em um trajeto que passará pelo lado oculto do satélite natural antes do retorno à Terra.

A missão não prevê pouso lunar, mas funcionará como um teste fundamental para verificar o funcionamento da nave e de seus sistemas em ambiente de espaço profundo. Caso tudo corra bem, a Artemis II abrirá caminho para futuras missões que deverão levar astronautas novamente à superfície lunar nos próximos anos, de acordo com a NASA.

Uma missão e três histórias inéditas

A corrida espacial americana produziu heróis, quase todos homens e quase todos brancos.

O Artemis II altera esse registro de uma vez só.

Victor Glover, piloto da missão, será o primeiro homem negro a viajar ao redor da Lua e Christina Koch, especialista de missão, será a primeira mulher a fazer o mesmo.

Já Jeremy Hansen, representante da Agência Espacial Canadense, será o primeiro não-americano a percorrer esse caminho, uma parceria que, segundo a NASA, reflete décadas de colaboração entre os dois países no espaço. Os quatro partem juntos numa cápsula batizada de Integrity pela própria tripulação.

O lado oculto da Lua

Câmeras já fotografaram praticamente toda a superfície lunar, mas nenhum ser humano jamais contemplou o lado oposto da Lua diretamente, sem a mediação de lentes ou sensores.

O Artemis II vai mudar isso.

Durante uma janela de aproximadamente três horas, a tripulação terá diante de si regiões do lado oculto que, por causa da posição orbital da Lua neste voo, estarão iluminadas de um jeito que as missões Apollo nunca puderam registrar com olhos humanos.

Cada tripulante já sinalizou como pretende viver o momento: o comandante Reid Wiseman disse que ficará colado à janela; Koch planeja registrar tanto o que consegue sentir quanto, curiosamente, o que não consegue; Glover quer fotografar os rostos dos colegas, não a Lua.

Gravidade lunar devolve a tripulação à Terra

Uma das decisões mais elegantes do Artemis II não é tecnológica, é física.

A missão foi desenhada para seguir o que os engenheiros chamam de trajetória de retorno livre. Após contornar a Lua, a gravidade lunar curvará naturalmente o caminho da cápsula Orion de volta à Terra, sem que seja necessário acionar qualquer motor.

Mesmo diante de uma falha total do sistema de propulsão, os quatro astronautas retornariam ao planeta.

A única interrupção prevista acontece quando a Lua se posicionar entre a espaçonave e a Terra. Durante 30 a 50 minutos, toda comunicação será cortada, o silêncio mais distante já experimentado por seres humanos desde a era Apollo.

O espaço de duas minivans e nenhuma privacidade

A cápsula Orion, construída pela Lockheed Martin, é capaz de sustentar quatro pessoas por até 21 dias.

O que os dados técnicos não revelam de imediato é o que isso significa na prática: o volume interno equivale ao de aproximadamente duas minivans.

Não há compartimentos privativos, não há divisórias.

Em caso de uma erupção solar, os astronautas se abrigam nos compartimentos de armazenamento sob os próprios assentos. Os apoios de pé do piloto e do comandante podem ser removidos para ampliar, minimamente, o espaço de trabalho e de descanso. Como a missão dura cerca de dez dias, cada centímetro importa.

A missão é a mais cara da história recente

O Artemis II deveria ter decolado em 2024, mas não decolou.

Problemas técnicos acumulados empurraram o lançamento para 1º de abril de 2026. Entre eles um vazamento hidráulico que forçou a NASA a substituir um dos motores do foguete Space Launch System (SLS) por uma peça reservada a missões futuras.

O SLS, com seus 98 metros de altura e 5,75 milhões de libras de peso, é o equivalente contemporâneo do mítico Saturno V da era Apollo. E tem um custo à altura: segundo relatório do inspetor-geral da NASA, cada lançamento combinado do SLS com a cápsula Orion custa aproximadamente US$ 4,1 bilhões.

Nos últimos 20 anos, o programa como um todo consumiu mais de US$ 50 bilhões em desenvolvimento, tornando o Artemis II não apenas a missão tripulada mais aguardada da geração, mas também uma das mais caras da história da exploração espacial.

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