Casual

Tânia Maria: fenômeno de 'O Agente Secreto' a caminho do Oscar

Artista potiguar começou a carreira no cinema depois dos 70 anos e pode ser a primeira brasileira indicada à categoria de Melhor Atriz Coadjuvante

Tânia Maria: a caminho do Oscar aos 78 (Divulgação)

Tânia Maria: a caminho do Oscar aos 78 (Divulgação)

Luiza Vilela
Luiza Vilela

Repórter de Casual

Publicado em 13 de janeiro de 2026 às 07h02.

Última atualização em 13 de janeiro de 2026 às 17h22.

Tudo sobreCinema
Saiba mais

Tânia Maria, de 78 anos, nunca sonhou com o cinema. Não sabia quem eram as grandes estrelas de Hollywood, tampouco o que era o Oscar. A primeira vez em que viu um filme na telona, foi aos 72 anos. Em 2026, no entanto, ela pode se tornar a primeira brasileira da história a concorrer à estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante.

A artista potiguar conquistou o mundo com a interpretação de Dona Sebastiana em O Agente Secreto. O papel, tão carismático quanto ela própria, rendeu menções nas apostas do Oscar das grandes revistas americanas, incluindo o New York Times. O jornal a elencou como a melhor atriz fumando cigarro — um vício que ela largou recentemente, após 65 anos com um maço sempre próximo.

Se Tânia chega até o teatro de Los Angeles, ainda é cedo para saber. Mas o caminho está pavimentado no cinema, e ela já é um fenômeno brasileiro. No último domingo, 11, enquanto Kleber Mendonça Filho e Wagner Moura conquistavam prêmios históricos na 83ª edição do Globo de Ouro, a atriz estrelava em três campanhas publicitárias, com Heineken, Caixa e Burger King. Projetos que são parte dos seis filmes em que ela atua ainda em 2026.

"Tânia Maria é perfeita, ela é um acontecimento", disse Moura em entrevista à Casual EXAME durante o Festival do Rio no ano passado. "Quando aparece o nome dela no final do filme, as pessoas enlouquecem e aplaudem aquela mulher".

Wagner Moura e Tânia Maria em 'O Agente Secreto' (Vitrine Filmes/Divulgação)

Do interior do Rio Grande do Norte a Hollywood

Natural do Santo Antônio da Cobra, povoado no Rio Grande do Norte com cerca de 600 habitantes, Tânia Maria teve uma vida simples. Trabalhou por um tempo como orientadora de saúde em uma das UBS da cidade e, quando completou 27 anos, decidiu que queria uma filha. Mãe-solo, sentiu na pele o machismo do Brasil nos anos 1970 quando viu um de seus chefes organizar um abaixo-assinado para retirá-la do cargo.

No fim, ela mesma pediu demissão e seguiu como costureira, sustentando a família com arte e dignidade. Até pouco tempo antes de integrar o set de filmagens de O Agente Secreto, vendia kits de tapetes por R$ 80, feitos com os retalhos de uma fábrica têxtil da cidade.

A primeira vez que pisou em um set de filmagem foi em 2018, para BacurauRecebeu R$ 50 por dia para atuar como figurante e, nos últimos momentos de gravação, acabou improvisando uma fala: “Que roupa é essa, menino!”. A frase virou meme. A atriz, revelação. O longa foi o primeiro que Tânia viu no cinema.

A cena, contou à Casual EXAME Kleber Mendonça Filho, diretor do longa, foi o ponto de partida para que ela se tornasse a atriz coadjuvante de O Agente Secreto. "Eu fiz o filme para Wagner, mas quando estava estruturando os outros personagens do roteiro, ela me veio na cabeça. Escrevi pensando nas coisas que eu sei dela, na fala, no jeito despachado, no sarcasmo. E aí, Dona Sebastiana é Tânia". 

Na hora de encarnar a personagem, a atriz leu o roteiro de Kleber e reescreveu as falas para memorizá-las. "Ela foi uma aluna dedicadíssima. Debateu as cenas, viu o que cabia de improviso e deixou todo mundo encantado. Dá até para ver em alguns momentos do filme que nem Wagner se aguenta", complementou o cineasta. 

O próprio Wagner Moura, vale dizer, era um desconhecido para Tânia. Durante os ensaios das cenas, os dois criaram uma conexão forte durante as gravações. "Eu fiquei completamente apaixonado por essa mulher", disse ele à Casual EXAME.

Tânia Maria brinda com cerveja na publicidade com a Heineken (Divulgação)

O Oscar vem?

Depois de Bacurau, vieram novos papéis no cinema, TV e até no marketing. Entre eles, Yellow Caker, produção de Tiago Melo, e Delegado, série policial do Canal Brasil, no qual ela contracena com Johnny Massaro.

Agora, a atriz se prepara para a caminhada ao Oscar. Publicações como a VarietyVanity Fair já a elencam entre as possíveis indicadas à estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas divulga a lista dos indicados no dia 22 de janeiro. A cerimônia de premiação está marcada para 15 de março.

De passaporte tirado, Tânia aguarda o visto para poder entrar no Dolby Theatre. Indicada ou não, já mencionou em entrevista à BBC Brasil que quer acompanhar o elenco de O Agente Secreto em Hollywood. "Meu sonho agora é ir para o Oscar. Botei isso na cabeça. Eu quero ir, eu vou". Por enquanto, ela segue fiel às origens: mora no interior, e não deixou a simplicidade de lado.

Acompanhe tudo sobre:FilmesFilmes brasileirosCinema

Mais de Casual

Cinema no Carnaval: 8 filmes em cartaz para assistir no feriado

Brasil já tem 14 marcas chinesas de carros; há espaço para mais?

Carnaval das artes: 3 mostras para conferir durante o feriado em São Paulo

Os bastidores do banquete do tradicional Baile do Copa