Roman Polanski será julgado na França, acusado de difamar mulher que o denunciou

A atual queixa de difamação diz respeito a uma longa entrevista de Polanski à revista Paris Match publicada em 2019
O diretor Roman Polanski fugiu após passar 42 dias na prisão pelo estupro de uma adolescente de 13 anos em 1977. (Charles Platiau/Reuters)
O diretor Roman Polanski fugiu após passar 42 dias na prisão pelo estupro de uma adolescente de 13 anos em 1977. (Charles Platiau/Reuters)
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AFPPublicado em 14/09/2022 às 15:01.

Roman Polanski enfrenta um julgamento por difamação em Paris por causa de uma queixa da atriz Charlotte Lewis contra o cineasta por questionar na imprensa a veracidade do abuso sexual de que Lewis o acusou, disse uma fonte próxima ao caso à AFP nesta quarta-feira (14).

Charlotte Lewis, nascida em 1967, atuou no filme "Piratas", dirigido por Roman Polanski em 1986.

Em 2010 ela alegou ter sido "abusada sexualmente" pelo cineasta em seu apartamento em Paris no início dos anos 1980, quando tinha 16 anos.

A atual queixa de difamação diz respeito a uma longa entrevista de Polanski à revista Paris Match publicada em 2019.

Nela, o diretor chama a atriz de "mentirosa" e "fabuladora" com base em citações atribuídas a ela em uma entrevista datada de 1999 ao tabloide britânico News of the World, onde a atriz teria manifestado desejo por ele.

Em sua época, a atriz já negou que as citações que apareceram no News of the World, às quais Polanski alude para acusá-la de mentirosa, fossem verdadeiras.

Após a denúncia de Lewis por difamação, uma decisão judicial datada de 30 de agosto envia Polanski, 89 anos, ao tribunal correcional de Paris, nunca antes julgado na França, por um processo relacionado a essas acusações de abuso sexual, sem definir até o momento a data da audiência.

Na França, na lei relativa à imprensa, o encaminhamento das queixas aos tribunais é quase automático e a veracidade das acusações é examinada a posteriori em audiência.

Os advogados de Polanski, Hervé Temime e Delphine Meillet, não quiseram comentar a acusação e "reservam suas explicações para o tribunal".

A diretora do Paris Match que publicou a entrevista na época também será julgada neste caso.

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