Toyota: não é apenas a escassez de competidores que mantém o Corolla sossegado na liderança (Divulgação)
Colunista
Publicado em 17 de janeiro de 2026 às 12h02.
Com 33.170 emplacamentos entre janeiro e dezembro de 2025, o Toyota Corolla foi o sedã médio mais vendido do Brasil pelo décimo segundo ano consecutivo. Na sequência vêm BYD King (12.402 licenciamentos), Nissan Sentra (4.927), Caoa Chery Arrizo 6 (1.436), Volkswagen Jetta (1.130) e Honda Civic (1.124). Os dados são da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).
Pode-se argumentar que a falta de rivais lhe ajudou a fixar residência no topo do segmento. Quando assumiu a liderança, em 2014, o Corolla enfrentava (na ordem dos mais vendidos naquele ano) Honda Civic, Chevrolet Cruze, Nissan Sentra, VW Jetta, Citroën C4 Lounge, Ford Focus Sedan, Renault Fluence, Mitsubishi Lancer, Kia Cerato, Hyundai Elantra e Peugeot 408.
Hoje, o mais direto e coerente é o Sentra, que nem cogita incomodar o líder por padecer da timidez mercadológica da Nissan. Os chineses (BYD e Caoa Chery) oferecem bons produtos, mas não têm tradição. O Civic agora é importado da Tailândia e parte de R$ 266,5 mil e o Jetta virou um esportivo de R$ 275 mil, portanto ambos se afastam da disputa direta com o Corolla.
Os demais saíram de linha.
Contudo, não é apenas a escassez de competidores que mantém o Corolla sossegado na liderança.
Ajuda, mas não é determinante para seu sucesso a ampla oferta de configurações, que vão da XEi, de R$ 173.290, à Altis Premium, de R$ 201.990. A GR-Sport, avaliada por EXAME Casual por uma semana, sai por R$ 201.790.
Seu visual distinto – marcado sobretudo por recortes mais retangulares do para-choque, rodas exclusivas e simbólicos apêndices aerodinâmicos nas laterais e na tampa do porta-malas – também é um atrativo. O belo tom Vermelho Granada e as lanternas escurecidas chegam a ser ousadia para um modelo com fama de conservador.
Há também o motor 2.0 flex, de até 177 cv e 21,4 kgfm de torque. Acoplado a uma transmissão automática (CVT) de dez velocidades, destoa da esportividade sugerida pelo nome da versão, mas é competente nas tarefas que lhe cabem. Tratando bem o acelerador é possível chegar a 10 km/l (gasolina) no uso urbano.
Outro ponto forte é o ajuste da suspensão, aqui ligeiramente mais firme do que nas demais versões. Do tipo McPherson na dianteira e independente na traseira, oferece tanto conforto no rodar quanto firmeza nas curvas mais ousadas. As rodas são de 17 polegadas, abraçadas por pneus 215/50.
O interior do Corolla é um agradável lugar para se estar. A qualidade de construção é evidente, assim como a qualidade dos materiais utilizados no acabamento. Não há arroubos de luxo ou ostentação barata (como na maioria dos chineses); pelo contrário: o tom é sóbrio, sem ser careta. A ergonomia também é elogiável.
Tudo acomodado em 2,70 m de entre-eixos e 1,78 m de largura e temperado com simplicidade – o ar-condicionado digital é manuseado por botões e o freio de estacionamento é acionado manualmente (aleluia). Pena que o mesmo não ocorre com o volume do áudio, controlado via central multimídia.
Entre os principais equipamentos estão carregador de celular por indução, painel digital configurável, controle de cruzei adaptativo, frenagem autônoma de emergência, sete airbags e teto solar. Só estranha em um carro desse preço não haver ajuste elétrico dos bancos dianteiros.
Contudo, o que se apresenta como apelo imperioso quando se trata de um Toyota chama-se confiança.
Em dezembro, a Consumer Reports, uma das principais organizações norte-americana de defesa do consumidor, divulgou seu ranking anual das marcas mais confiáveis e lá estava a marca japonesa em primeiro lugar.
A pesquisa abarcou dados de aproximadamente 380 mil veículos produzidos entre 2000 e 2025, examinados em aspectos como acabamento interno, componentes eletrônicos e elementos mecânicos, entre outros. Numa pontuação de 0 a 100, a Toyota conquistou 66 pontos, seguida por Subaru (63), Lexus (60), Honda (59) e BMW (58). Na edição anterior, deu Subaru (68 pontos), Lexus (65), Toyota (62), Honda (59) e Acura (55).
Toyota e Lexus também se destacaram na 36ª e última edição do Vehicle Dependability Study, da J.D. Power.
O estudo de confiabilidade da consultoria examinou, em veículos com três anos de uso, 184 problemas específicos em quesitos como assistência ao condutor, experiência de condução, sistemas de informação e entretenimento, motor, câmbio, bancos, exterior e interior. A marca de luxo da Toyota aparece no topo do ranking com o menor número de ocorrências, 140 a cada 100 veículos. Na sequência vêm Buick (143), Mazda (161), Toyota (162) e Cadillac (169).
Há reconhecimentos também no mercado nacional. Ao longo do ano passado, a Toyota conquistou sete premiações. Destaques para Selo Maior Valor de Revenda, da Agência AutoInforme, onde foi campeã com os modelos Corolla, Corolla Hybrid e RAV4; Empresas Que Mais Respeitam o Consumidor (Consumidor Moderno) na categoria Automóveis e Prêmio Reclame Aqui, na categoria Melhor Montadora – Veículos Pick-up & Off-Road.