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O Brasil é apaixonado por picapes, e o CEO da Ford América do Sul sabe o motivo

Martín Galdeano, o novo CEO da Ford para a América do Sul, fala sobre a preferência do consumidor brasileiro e a concorrência dos chineses

Martín Galdeano: presidente  da Ford América do Sul. (Leandro Fonseca/Exame)

Martín Galdeano: presidente da Ford América do Sul. (Leandro Fonseca/Exame)

Gilson Garrett Jr.
Gilson Garrett Jr.

Repórter de Casual

Publicado em 22 de junho de 2024 às 07h09.

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Martín Galdeano é argentino e o novo CEO da Ford para a América do Sul, posto que assumiu em fevereiro deste ano, quando deixou a função de CEO da Argentina. Está na companhia há praticamente duas décadas e já ocupou diversos cargos, incluindo duas passagens significativas e marcantes, segundo ele, pelo Brasil. “Os brasileiros acolhem os estrangeiros de forma realmente especial”, diz.

A experiência marcou tanto a vida do executivo que ele decidiu trazer a família toda para se estabelecer em São Paulo, mesmo que a Ford tenha deixado aberta a possibilidade de ele permanecer em Buenos Aires. Para além da decisão pessoal estão os números. O Brasil é o maior mercado da região, cujas vendas cresceram 40% no ano passado em relação a 2022. Tudo puxado pela Ranger, picape que caiu no gosto dos brasileiros, com mais de 20.000 unidades vendidas no ano passado. O desafio do executivo é manter o ritmo de crescimento, além da demanda dos consumidores por carros menos poluentes.

Pela frente, a Ford tem uma concorrência grande das montadoras chinesas que chegam com ainda mais força por aqui a partir do segundo semestre. Em entrevista exclusiva à Casual EXAME — a primeira no cargo —, Galdeano conta qual é a estratégia da montadora para o Brasil. Confira os principais trechos.

Quais são os lançamentos previstos para este ano? Vamos ver muitas picapes?

Entre janeiro e maio deste ano tivemos 52% de crescimento em relação a 2023. No ano passado foram nove lançamentos, incluindo a Ranger, que é um dos maiores volumes no mercado brasileiro. No segundo semestre chega a nova F-150, que é um dos veículos mais aguardados e representa nosso compromisso com a inovação e a liderança no segmento de picapes. Continuaremos focando essa linha, que vai desde a Maverick até a F-150, incluindo modelos de performance, como a Ranger Raptor. Também vamos fortalecer nossa linha de SUVs, como o Territory, que tem tido ótima aceitação.

Tem-se falado muito em carro elétrico globalmente, mas os movimentos das montadoras no Brasil se encaminham para o híbrido. Qual é a estratégia da Ford para o Brasil?

Nossa estratégia global é o “Power of Choice”, em que o cliente escolhe entre combustão, híbrido ou elétrico. Continua­mos investindo nessas tecnologias, com metas claras de neutralidade de carbono até 2050. No Brasil, a preferência tem sido pelos híbridos. Também estamos comprometidos em oferecer opções 100% elétricas. Acreditamos que a combinação de híbridos e elétricos é o caminho para um futuro mais verde e eficiente.

Teremos o híbrido flex?

O híbrido flex é uma solução inteligente para o Brasil, refletindo sua matriz energética limpa e a infraestrutura de etanol. Vemos todas as montadoras investindo nessa tecnologia, e a Ford está acompanhando essa tendência. Embora ainda não tenhamos um prazo específico, estamos investindo em pesquisa e desenvolvimento para aprimorar essa tecnologia e garantir que ela seja viável e atraente para os consumidores brasileiros. Acreditamos que o híbrido flex pode desempenhar um papel crucial na transição para uma mobilidade mais sustentável no país.

A fábrica da Argentina produz a picape da Ford que é a mais vendida no Brasil. Está prevista alguma ampliação?

Há poucos dias inauguramos a fábrica de motores em Pacheco, o que nos dá mais celeridade no processo de produção. A fábrica e o centro de desenvolvimento no Brasil são fundamentais, com mais de 1.500 engenheiros trabalhando em tecnologias que estão em todos os nossos carros. A colaboração entre as unidades de produção na Argentina e no Brasil é crucial para a nossa estratégia de longo prazo.

No próximo semestre, pelo menos cinco montadoras chinesas devem desembarcar no Brasil. Qual é a estratégia da Ford para lidar com essa concorrência?

A expansão das montadoras chinesas é uma realidade global. Elas trazem produtos interessantes e aumentam a concorrência, o que é bom para os consumidores. Nós também importamos da China e temos parceiros lá. Acreditamos que a concorrência saudável beneficia o cliente, e estamos preparados para competir nesse cenário. No Brasil, o maior mercado da região, essa competição será ainda mais intensa. A Ford está bem posicionada para competir com uma forte linha de produtos.

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