Cena da campanha assinada por Luca Guadagnino para a Zara (David Sims/Zara)
Jonalista colaborador
Publicado em 2 de setembro de 2026 às 10h32.
Durante a Semana de Moda de Milão, o diretor Luca Guadagnino apresenta ao público sua primeira coleção assinada com a Zara Home. Batizada de Baisi Guadagnino, em referência ao produtor e arquiteto Stefano Baisi, parceiro de longa data do cineasta, a linha reúne cerca de 140 peças entre móveis, objetos de decoração e roupas. Um sofá da coleção custa £ 11.660, o equivalente a cerca de R$ 82 mil na cotação atual, e uma poltrona de flanela descrita por Guadagnino como "decadente" ultrapassa os R$ 42 mil.
A coleção chega poucos meses depois de a Zara anunciar uma parceria de dois anos com o estilista britânico John Galliano, que vai reinterpretar o acervo histórico da marca em coleções sazonais a partir de setembro. No mesmo período, a grife vestiu Bad Bunny para o show do intervalo do Super Bowl LX, além de colaborar com o cantor porto-riquenho para uma linha de peças, e lançou a Vatísimo, coleção assinada pelo estilista mexicano-americano Willy Chavarria.
Modelos e it girls reunidas na campanha dos 50 anos da Zara, lançada em outubro de 2025 (Divulgação)
Em outubro de 2025, a Zara celebrou seus 50 anos com uma campanha que reuniu nomes como os arquitetos Norman Foster e David Chipperfield, a artista Es Devlin, o cineasta Pedro Almodóvar, a cantora Rosalía e as modelos Kate Moss, Naomi Campbell e Linda Evangelista, entre outros. Guadagnino já fazia parte dessa lista antes mesmo do projeto com a Zara Home, assim como o próprio Baisi, que assina com ele o estúdio responsável pela reforma de hotéis e lojas na Europa desde 2017.
A Vatísimo, de Chavarria, chegou às lojas em março, com peças de até US$ 250, e foi descrita pelo designer como uma homenagem à comunidade chicana, inspirada em telenovelas mexicanas e em séries americanas dos anos 1980 como Dallas e Dynasty. "Essa parceria leva minha perspectiva criativa para uma plataforma mundial, sem diluição e sem compromisso", disse o estilista, em comunicado divulgado pela própria marca.
A Inditex, dona da Zara, fechou 2025 com lucro recorde pelo terceiro ano seguido. Ainda assim, a companhia enfrenta pressão crescente de concorrentes como Shein e Temu, que disputam o mesmo público jovem com preços ainda mais baixos, além de tarifas de importação em mercados como o americano. Um comunicado da própria Zara descreveu a parceria com Galliano como conduzida por um "processo e uma abordagem de alta-costura", com lançamentos sazonais ao longo dos dois anos de contrato.
Reportagens do setor têm associado essa sequência de colaborações a uma tentativa da marca de elevar sua percepção de valor e justificar preços mais altos em peças de edição limitada, sem abandonar o modelo de produção em grande escala que sustenta o negócio. A Zara já havia trabalhado antes com nomes como Stefano Pilati e Ludovic de Saint Sernin antes de assinar com Galliano.
Ambientes da coleção Baisi Guadagnino para a Zara Home, com silhuetas onduladas e referências a Gio Ponti e Ettore Sottsass (Valérie Sadoun/Zara)
A extensão da estratégia para o segmento de casa, com a Baisi Guadagnino, amplia o alcance das parcerias para além do guarda-roupa. Segundo a diretora-geral da Zara Home, Lorena Mosquera, em entrevista ao Financial Times, a coleção forma "um universo completo em que móveis, iluminação, acessórios e moda conversam entre si". Ao lado das peças de mobiliário, a linha inclui também talheres, velas, pratos e copos com preços mais acessíveis.
O moodboard da coleção, segundo os próprios criadores, passou por nomes como Gio Ponti, Lina Bo Bardi, Ettore Sottsass, Jean-Luc Godard e Nagisa Oshima. A primeira coleção assinada por Galliano com a Zara chega às lojas em setembro, mantendo o ritmo de lançamentos que a marca tem sustentado ao longo do ano.