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Oscar 2026 | Entre o humor ácido e política, 'Uma Batalha Após a Outra' é puro espetáculo

Filme de Paul Thomas Anderson ficou em terceiro lugar no ranking dos 50 melhores filmes do ano da EXAME, que ouviu a opinião de 124 especialistas em cinema

CRÍTICA | Uma Batalha Após a Outra (Warner/Divulgação)

CRÍTICA | Uma Batalha Após a Outra (Warner/Divulgação)

Luiza Vilela
Luiza Vilela

Repórter de Casual

Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 06h03.

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Os anos de filmografia de Paul Thomas Anderson permitem dizer que, quando o cineasta retoma o papel e a caneta para escrever, o cinema vira espetáculo. É essa a sensação que deixa Uma Batalha Após a Outra, a principal aposta americana para o Oscar de 2026. Atrás somente de Pecadores, o filme se sagrou como o segundo mais indicado à premiação deste ano, com 13 nomeações.

Pontual com a agenda anti-imigração dos Estados Unidos, o longa foca a história de dois revolucionários: Perfidia Beverly Hills (Teyana Taylor), mulher negra e latina pronta para livrar o mundo da xenofobia, e Bob Ferguson (Leonardo DiCaprio), seu companheiro branco que entende de tecnologia e se envolve com a revolução, mas não leva muito jeito para a coisa.

Um plano sai pela culatra e Perfidia abandona a família para se exilar no exterior, deixando Bob e a filha recém-nascida, Willa (Chase Infiniti), entregues ao destino dos refugiados na fronteira com os Estados Unidos. Quando ela completa 16 anos e ele já está oficialmente aposentado da vida revolucionária, Willa é sequestrada por um antigo inimigo da família e obriga Bob a voltar à ativa em um mundo não tão diferente assim.

Uma Batalha Após a Outra vem colecionando prêmios desde sua estreia em 2025. Saiu vencedor de inúmeras estatuetas no Globo de Ouro e no Critics Choice Awards, e mira alto pela estatueta de Melhor Filme no Oscar.

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A revolução que é urgente, mas burocrática

Brutalmente atual, respaldada por fotografia, trilha sonora e elenco impecáveis, a produção de Paul Thomas Anderson transporta para o cinema desde a ansiedade geracional com as recentes mudanças nos Estados Unidos até o cansaço das burocracias das forças revolucionárias — e suas inevitavelmente impotentes investidas no cenário contemporâneo.

A "energia nervosa" que define a contemporaneidade, e captura aquele misto de fadiga existencial e hipervigilância, é soberana no filme. Ao beber da fonte de Vineland, Paul Thomas Anderson resgata a densidade surtada de Thomas Pynchon para traçar um paralelo entre a era Reagan e o colapso institucional moderno.

É uma obra que não precisa nomear partidos para expor a fratura exposta de uma nação: os dilemas do presente e o pavor do futuro sublinham cada frame, e transformam o exílio e a fronteira em estados de espírito permanentes. Algo ainda mais especial no conjunto com as atuais notícias sobre a imigração nos EUA e as ações do ICE.

Em resumo, Uma Batalha Após a Outra é uma daquelas obras que mesclam humor, emoção e adrenalina o suficiente para fazer você terminar a sessão sentado na ponta da cadeira. E pode finalmente trazer o primeiro (e merecido) Oscar de Melhor Direção a Anderson.

Direção: Paul Thomas Anderson | Elenco: Leonardo DiCaprio, Sean Penn, Chase Infiniti, Benicio del Toro País: Estados Unidos | Onde assistir: HBO Max e Prime Video (aluguel)

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