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Nobel de literatura 2021 será publicado pela Companhia das Letras

Pela primeira vez no Brasil serão publicados os títulos: "Afterlives", "Paradise", "By the Sea" e "Desertion" pela Companhia das Letras

Quatro livros do vencedor do prêmio Nobel de literatura de 2021, Abdulrazak Gurnah serão publicados exclusivamente pela Companhia das Letras em 2022.

Nascido na ilha de Zanzibar, atualmente parte da Tanzânia, em 1948, Gurnah deixou o país aos dezoito anos como refugiado e estabeleceu-se no Reino Unido. Sua estreia literária se deu em 1987, com a publicação de Memory of Departure, e em 1994 lançou o aclamado Paradise, finalista do Booker Prize.

Pela primeira vez no Brasil serão publicados os títulos: AfterlivesParadise, By the Sea Desertion.

Afterlives, o livro mais recente do autor, será lançado ainda no primeiro semestre de 2022. Ambientado no início do século XX, o romance tem como pano de fundo a Rebelião Maji Maji, revolta armada contra o domínio colonial alemão na região da África Oriental. Através de Ilyas, que foi roubado de seus pais pelas tropas alemãs e depois de anos retorna para sua terra natal, e de outros três personagens, acompanhamos os impactos individuais e coletivos da guerra.

Em romances e contos que invertem a perspectiva colonial e evidenciam a pluralidade cultural da África, a escrita de Gurnah evidencia a experiência dos refugiados ante o deslocamento e a vida no exílio, por meio de temas como a memória, o pertencimento e o trauma.

Paradise tem como protagonista um menino de 12 anos que foi vendido por seu pai para pagar uma dívida com um comerciante árabe. Desertion apresenta duas histórias de amor proibidas e relacionadas, uma em 1899 e outra nos anos 1950. By the Sea retrata dois imigrantes africanos com um passado em comum que vivem no Reino Unido.

Gurnah tem como língua materna o suaíli e começou a se dedicar à literatura aos 21 anos, adotando o inglês como idioma de escrita. Entre suas principais referências, estão a poesia persa, textos árabes como As mil e uma noites e o Corão, Shakespeare e V.S. Naipaul.

Ele também foi professor de literaturas pós-coloniais na Universidade de Kent em Canterbury e dedicou-se ao estudo de autores como Wole Soyinka, Ngũgĩ wa Thiong'o e Salman Rushdie.

Ao anunciar o prêmio, o júri elegeu o escritor por sua “percepção intransigente e compassiva dos efeitos do colonialismo e do destino do refugiado no abismo entre culturas e continentes.”

A Companhia das Letras segue na publicação de vencedores do Nobel no país. Até então inéditos no Brasil, no ano passado a editora comprou os direitos de publicação da poeta americana Louise Glück. Em 2016, Vozes de Tchernóbil, da bielorrusa Svetlana Aleksiévitch, também chegou às livrarias brasileiras.

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