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Na Semana de Milão, Zegna aposta em terno de 1930 para ditar o novo luxo

Diretor artístico Alessandro Sartori utiliza o acervo pessoal de Gildo e Paolo Zegna para criar silhuetas fluidas e atemporais

Zegna em milão: marca confia nas raízes para conectar gerações (Filippo Fior / Gorunway.com)

Zegna em milão: marca confia nas raízes para conectar gerações (Filippo Fior / Gorunway.com)

Luiza Vilela
Luiza Vilela

Repórter de Casual

Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 18h52.

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Um terno de lã australiana da década de 1930, preservado sob vidro como uma obra de arte, deu o tom do que a Zegna entende por futuro. Na Semana de Moda de Milão, que começou nesta sexta-feira, 16, a marca italiana ignorou as tendências passageiras para celebrar o lifestyle da continuidade em família, presente na nova coleção de outono/inverno de 2026.

O evento contou com a presença de grandes celebridades, incluindo Kleber Mendonça Filho e sua companheira e produtora, Emilie Lesclaux. O cineasta pernambucano vestiu peças da Zegna durante a cerimônia do Globo de Ouro no último domingo, 11, da qual o Brasil saiu como vencedor nas categorias de Melhor Filme de Língua Não-Inglesa e Melhor Ator em Filme de Drama (Wagner Moura).

O desfile foi ambientado em um armário imaginário, preenchido com itens reais de Gildo Zegna, presidente executivo do grupo, e a Paolo Zegna, presidente do conselho da marca. A ideia — uma tendência entre as gerações mais jovens — foi redescobrir o guarda-roupa de um antepassado e trazer para o presente cortes e tecidos que desafiam a passagem do tempo.

“Assim como a nossa parte externa, as roupas são as páginas de um diário que escrevemos ao longo de toda a nossa existência", disse o diretor artístico da marca, Alessandro Sartori. "Temos profundo orgulho e dedicamos grande empenho ao que fazemos, por isso a ideia de criar algo que possa ser guardado, reutilizado e reinterpretado por muito tempo nos impulsiona."

Reimaginação do clássico

Abito n.1.: o primeiro terno, feito na década de 1930 (Filippo Fior / Gorunway.com)

A estrela do desfile foi o Abito n.1.: o primeiro terno feito sob medida para o Conde Ermenegildo Zegna, na década de 1930, confeccionado em lã australiana. No contexto da marca, foi apresentado em uma vitrine de vidro, com ares de museu.

No restante da coleção, a lã Trofeo, criada em 1965, foi central. Reinterpretada para o presente, a matéria-prima serviu de base para silhuetas longas e fluidas, com uma atitude dégagé. Casacos e jaquetas surgem amplos e com ombros quadrados, enquanto o volume das calças parte de uma cintura alta bem ajustada.

"Tudo na Zegna começa pelo tecido. Neste guarda-roupa, essa base é combinada a um intenso processo de testes, styling, uso e aprimoramento de peças e silhuetas, trabalhadas individualmente em cada modelo, repetidas vezes”, explicou Sartori.

O guarda-roupa da Zegna na Semana de moda de Milão

Símbolo de certa formalidade, o abotoamento duplo ganhou nas peças do desfile leveza e jogo: em algumas jaquetas, foi reduzido a um terço, enquanto em outras foi redesenhado com a adição de um botão horizontal central, posicionado entre os fechamentos tradicionais. A mudança permite que a peça seja usada tanto como um clássico transpassado quanto na opção intermediária, criando um caimento mais solto e aberto.

A sensibilidade gráfica da coleção apareceu nos blazers de gola alta com detalhes em couro e nos coletes matelassados. Nos pés, a aposta são os slippers de inspiração outdoor e mocassins em camurça e feltro de lã. A paleta de cores remete à natureza, com notas cremosas de stella alpina, tons de mogno, bétula e terra, além de matizes de safira e jade. Retornam também os clássicos cinza-antracite e o preto dessaturado.

O trabalho tátil nas peças também chamou atenção pela variedade de misturas, como o tweed fantasia em lã e papel ou lã e alpaca, além do uso do Oasi Cashmere e da flanela de lã Falkland.

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