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Mil dias depois: o retorno do Campeonato Mundial de Xadrez

Após adiamentos por conta da pandemia, competição para definir novo campeão mundial começa na sexta-feira, 26, em meio a momento de popularidade do xadrez

O xadrez se tornou um jogo percebido de maneira diferente desde que o último Campeonato Mundial aconteceu pela última vez, há mais de 1.000 dias. Com adiamentos por conta da pandemia de covid-19, o atual campeão, o norueguês Magnus Carlsen, enfrenta seu desafiante, a partir de sexta-feira, 26, o russo Ian Nepomniachtchi, conhecido como Nepo. A abertura do evento já aconteceu em Dubai, durante a Expo 2020, espécie de feira mundial dos nossos tempos.

A saga para escolher o desafiante de Carlsen começou pelo Torneio dos Candidatos, que se iniciou em 2020 e foi vencido por Nepo, após mais de um ano de duração por causa da pandemia. Por esse mesmo motivo, foi envolto em polêmicas com jogadores tendo abandonado o torneio quando a pandemia começou e tentando retomar seus postos em 2021.

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De lá para cá, o xadrez passou por uma percepção diferenciada do público enquanto se tornou um fenômeno online. Impulsionado por mais tempo em casa, pela série “O Gambito da Rainha”, um sucesso da Netflix, e pela profusão de partidas transmitidas em plataformas de streaming como Twitch, o esporte angariou reconhecimento e uma onda de novos jogadores e registros em sites populares, como chess.com.

Ao mesmo tempo que o xadrez vive uma espécie de ápice de atenção do público, Carlsen e Nepo se enfrentam no topo de suas carreiras. Carlsen mantém o título de campeão mundial desde 2013 e é considerado um dos melhores enxadristas que já existiu. Nepo, por outro lado, não fica atrás: atualmente o 5° melhor jogador do mundo, o russo surpreendeu com uma performance irretocável para se tornar o desafiante ao título.

O formato do Campeonato Mundial é semelhante ao dos últimos anos: serão 14 jogos clássicos de 120 minutos para os 40 primeiros movimentos e um acréscimo de 60 minutos para mais 20 movimentos, e então 15 minutos adicionais para o restante do jogo, com acréscimo de 30 segunda a partir do movimento 61. Cada vitória garante 1 ponto e cada empate, meio ponto. Se empatados depois das 14 partidas, Carlsen e Nepo disputam jogos rápidos para determinar o vencedor.

Embora a pontuação geral de Carlsen seja maior que a de Nepo, conquistada durante uma carreira de anos em campeonatos e disputas, o russo é um dos poucos que tem um recorde positivo contra o atual campeão mundial em jogos clássicos: são 4 vitórias de Nepo contra uma de Carlsen em 13 disputas.

É verdade que a maioria das vitórias vieram quando ambos ainda eram adolescentes, em torneios juvenis. E por esse motivo computadores e inteligências artificiais, munidas dos jogos dos dois para replicar seus estilos de jogo, dão vitória para o norueguês em 83% dos universos possíveis. O restante é dividido entre uma vitória de Nepo e a necessidade de tiebreaks. As máquinas são tão importantes ao xadrez na atualidade que ajudam jogadores a encontrar melhores movimentos e jogadas antes não vistas por humanos passaram a ser incorporadas pelos enxadristas.

Apesar das chances e do histórico entre os dois, o Campeonato Mundial promete mostrar um embate de estilos. Carlsen é conhecido por sua exatidão e sua habilidade em jogadas determinantes quando o jogo está no fim. Já Nepomniachtchi é famoso por ser agressivo e veloz, executando movimentos que demandam análise enquanto sufoca seus adversários que ficam com pouco tempo no relógio.

Em uma análise de antemão da partida e do histórico dos dois jogadores, o grande-mestre americano Ben Finegold afirma que o estilo dos dois é o oposto. “Ian poderia ser destruído se ele jogar como ele joga — ou ele pode vencer vários jogos e ganhar a partida se ele jogar como ele joga”, disse em vídeo publicado no YouTube, enfatizando que tudo está em aberto.

Carlsen, em entrevista recente, afirmou que tem boas chances se jogar seu melhor, mas deixou claro que nunca teve um bom pressentimento ao enfrentar o russo: “você sempre sente que é ele quem está pressionando”, disse o campeão mundial.

Em 2016, quando Carlsen defendeu o título contra o russo Sergey Karjakin, o Campeonato estava tomado de certas cores políticas — como muito aconteceu na história do xadrez durante o século 20, em que a União Soviética foi o país a dominar o esporte. Não é mais o caso. Nepo não deve nem aparecer próximo à bandeira russa, na medida que o país ainda enfrenta restrições por conta de doping esportivo. O evento deste ano deve ser marcado pelo afinco da transmissão da partida e os pós-jogos sendo comentados por grandes nomes na Twitch e no YouTube. A era do vídeo chegou também para o xadrez.

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