Mercado editorial recupera o passo e revela os best-sellers de 2020

O ano passado foi um dos mais desafiadores para o mercado editorial brasileiro, que ainda não tinha se levantado do baque da recuperação judicial da Saraiva e da Cultura
 (Foto/Reprodução)
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Por Estadão ConteúdoPublicado em 23/01/2021 08:08 | Última atualização em 22/01/2021 16:31Tempo de Leitura: 3 min de leitura

O livro mais vendido no Brasil em 2020 foi Do Mil ao Milhão Sem Cortar o Cafezinho. Com esse título publicado em novembro de 2018 pela HarperCollins Brasil e que fechou 2019 na terceira posição do ranking, Thiago Nigro, criador do canal Primo Rico, desbancou Mark Manson - com A Sutil Arte de Ligar o F*da-se, o americano ficou no topo durante dois anos consecutivos. O levantamento exclusivo foi feito pela Nielsen a pedido do Estadão e, segundo a editora da obra, foram comercializados cerca de 350 mil exemplares no ano passado.

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Há menos autoajuda (pessoal ou financeira) entre os 15 livros mais vendidos de 2020 do que tinha em 2019 - foram nove agora e 13 antes (os outros dois eram títulos infantis do youtuber Luccas Neto).

Se em 2019 nenhuma ficção chegou à lista, agora aparecem dois de George Orwell - A Revolução dos Bichos, em 7.º lugar, e 1984, em 10.º -, e Sol da Meia-Noite, de Stephenie Meyer, em 14.º. O livro de Meyer, aliás, que resgata os personagens e o universo de sua saga best-seller Crepúsculo, foi o único publicado no ano passado a entrar no ranking.

Outras duas novidades, em não ficção: Pequeno Manual Antirracista, obra de Djamila Ribeiro de 2019, ficou em 12.º, e Sapiens - Uma Breve História da Humanidade, livro de Yuval Noah Harari que chegou às livrarias brasileiras em 2015, voltou à lista, na última colocação.

Entre os best-sellers, apenas quatro são mulheres (eram duas no ano anterior): Clarissa Pinkola Estes, Carol S. Dweck, Djamila Ribeiro e Stephenie Meyer. E o grupo Companhia das Letras é quem tem mais títulos na lista - são cinco.

O ano de 2020 foi um dos mais desafiadores para o mercado editorial brasileiro, que ainda não tinha se levantado do baque da recuperação judicial da Saraiva e da Cultura e dos novos calotes das duas redes, e viu todas as livrarias fechadas por causa da pandemia. Sem saber o que aconteceria com o mundo dali para a frente e sem sua principal vitrine para expor e divulgar os lançamentos, as editoras tiraram o pé do freio e cancelaram ou adiaram projetos. E, contra todas as expectativas, o mercado editorial fechou o ano recuperado.

Foi isso o que mostrou o 13.º Painel do Varejo de Livros no Brasil de 2020, divulgado nesta quarta, 20, pela Nielsen Bookscan e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel).

Segundo o levantamento, o mês de dezembro foi o período com o maior registro de vendas do ano, apresentando 4,98 milhões de livros vendidos e faturamento de R$ 197,81 milhões. Em porcentuais, houve um crescimento de 7,6% em volume e de 4,9% em valor quando comparado com o mesmo período em 2019.

De acordo com o Snel, os bons números do período 13 (entre o final de novembro e de dezembro) contribuíram para manter o ritmo de recuperação do setor livreiro e fechar o ano de 2020 com números praticamente iguais aos de 2019. Em 2020, foram comercializados 41,91 milhões de livros, o que representa um crescimento de 0,87% em relação a 2019. Já em valores, o setor movimentou R$ 1,74 bilhão contra R$1,75 bilhão em 2019, registrando queda de 0,48%.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo