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Luxo se reinventa e vende ainda mais sem as semanas de moda

Saint Laurent, Gucci, Celine e Balenciaga saíram do calendário oficial, com apostas originais que agradam e vendem. Seria o fim das semansa de moda?

Desfile da coleção Gucci Aria. (Gucci/Divulgação)

Desfile da coleção Gucci Aria. (Gucci/Divulgação)

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Julia Storch

Publicado em 29 de abril de 2021 às 10h01.

Há um ano, a Saint Laurent se tornou a primeira grande marca de luxo a abandonar as semanas de moda como consequência da pandemia. Desde então, nomes como Gucci, Celine e Balenciaga também saíram do calendário oficial, com apostas originais que agradam e vendem.

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O estilista belga da Saint Laurent, Anthony Vaccarello, apresentou sua nova coleção outono-inverno virtualmente nesta quarta-feira (28), dois meses após a Paris Fashion Week. Vaccarello escolheu paisagens selvagens e "hostis", como um bloco de gelo, para desfilar seus modelos.

Já em sua última exibição, em dezembro, ele filmou no deserto, rompendo com o tradicional ambiente glamouroso da empresa, aos pés da Torre Eiffel.

Há duas semanas, a italiana Gucci organizou um desfile para marcar seu centenário que deu muito que falar.

"Pirataria"

Seu diretor artístico, o italiano Alessandro Michele, lançou uma coleção na qual o logotipo da Gucci coexiste com o da Balenciaga, também pertencente ao império Kering.

Algumas peças até lembram a linha de Demna Gvasalia, designer iconoclasta da marca fundada pelo espanhol Cristóbal Balenciaga. Não se trata de uma colaboração, mas sim de "pirataria", brincou Michele, lembrando que teve o aval de Gvasalia, seu amigo.

Para a influente crítica de moda do New York Times Vanessa Friedman, esta coleção que ela apelidou de "Balen-Gucci" pode anunciar novos tempos. “Agora é sobre piratear: a história e seu grupo”, dando “uma imagem de antissistema”, segundo Friedman.

A Balenciaga apresentou uma coleção também à margem da Fashion Week, em um vídeo filmado em vários pontos turísticos do mundo, transmitindo a mensagem "sinta-se bem" ao contrário da Gvasalia, mais sujeita a cenários apocalípticos.

“A moda nunca vai acabar, independentemente das semanas de moda (...) Pode ser feita sozinha”, estimou Michele.

Os números comprovam isso: no primeiro trimestre de 2021, as vendas dos gigantes de luxo Kering e da rival LVMH ultrapassaram os níveis pré-pandêmicos, subindo 5,5% e 8%, respectivamente, em relação a 2019.

Em comparação com o primeiro trimestre de 2020, quando a pandemia já atingia a Ásia, as vendas naquele continente dispararam entre janeiro e março, com aumento de 83% para Kering e 86% para LVMH.

"Garantias"

Não é por acaso que a coleção Gucci-Balenciaga será apresentada nas próximas semanas em Xangai, como fez Berluti (LVMH) no início de abril. 

É um "mercado em expansão" e o "único onde podemos apresentar as roupas a um público físico", disse à AFP Kris Van Assche, que deixou a direção artística de Berluti na semana passada, coincidindo com o anúncio da empresa de que a partir de agora seguirá seu próprio calendário.

Sem a confirmação oficial, Celine (LVMH) fez o mesmo e até agora seu diretor artístico Hedi Slimane apresentou vídeos gravados em castelos na França para coleções femininas e masculinas.

Com todas essas mudanças, uma pergunta se tornou recorrente: é o início do fim das semanas de moda?

“Se todo mundo sai do sistema, todo mundo perde. Nesse contexto deve haver garantias, elementos de credibilidade” como o calendário oficial, defendeu Pascal Morand, presidente-executivo da Federação de Alta Costura e Moda da França, que organiza as semanas de Paris.

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