Jogador da NBA doa salários para fundo que luta contra racismo

Jrue Holiday, jogador do New Orleans Pelicans, doará salários restantes da temporada para fundo a ser criado com sua mulher e que visa justiça social

Jrue Holiday, armador do time de basquete da NBA New Orleans Pelicans, decidiu mostrar que continua engajado na luta contra o racismo em meio ao movimento Black Lives Matter que toma conta dos EUA.

O jogador de 30 anos, cujo salário anual é de US$ 26,23 milhões, anunciou em sua conta no Twitter que irá doar os cheques que ainda devem lhe ser pagos nessa temporada, totalizando cerca de US$ 5,3 milhões, a um fundo a ser criado que deverá cuidar de questões envolvendo justiça social.

Em parceria com sua mulher, a ex-jogadora da seleção americana de futebol Lauren Holiday, o “Jrue and Lauren Holiday Social Justice Impact Fund” cuidará, especialmente, de projetos sociais nas comunidades de New Orleans, Indianapolis e Los Angeles. Jrue Holiday joga há sete temporadas com os Pelicans, mas nasceu na Califórnia. Já Lauren é nativa de Indianapolis, Indiana. Os dois irmãos de Jrue também jogam pelo Indiana Pacers. Mas o fundo também ajudará outras cidades ao redor dos Estados Unidos e também universidades e colégios historicamente negros.

À ESPN americana, o jogador disse que a ideia para a criação do fundo nasceu depois de ele refletir sobre como poderia contribuir mais para os movimentos que lutam contra o racismo e por mais justiça social. O casal estava frustrado que não estava comparecendo às passeatas de protesto, já que Lauren está grávida.

“Sabemos que duas coisas que importam são tempo e dinheiro, e nesse momento temos ambos. Com tudo o que está acontecendo no mundo, eu e minha mulher percebemos que não estávamos investimento em nossa comunidade como deveríamos. Mas nunca é tarde demais. Essa é a hora de fazermos nossa parte”, disse. O fundo ajudará, inicialmente, pequenos negócios de empreendedores negros que foram afetados pela pandemia do novo coronavírus.

Apoio

Se outras ligas de grande poder nos Estados Unidos, como a NFL (futebol americano), têm sido um tanto reticentes com o movimento Black Lives Matter (os jogadores negros tiveram que cobrar um posicionamento de Roger Goodell, comissário da liga, sobre o movimento), a NBA, a liga de basquete nacional, não perdeu tempo em mostrar seu apoio. Afinal, 74,5% de seus jogadores são negros.

A liga criou um comercial oficial que admite que sim, o racismo existe e está em “todo lugar”. O vídeo mostra jogadores em protestos e técnicos, brancos, falando que o racismo é um problema sério e que precisa ser combatido. Durante os jogos amistosos que ocorrem na “bolha” de Orlando, onde os times estão isolados e concentrados para a retormada e finalização da temporada, a quadra conta com uma grande aplicação onde se lê “Black Lives Matter” e todos os técnicos estão usando um broche na camisa que diz “Coaches for Racial Justice” (“Técnicos pela Justiça Racial”). Isso deve se manter quando a temporada reiniciar, em 30 de julho.

Para os jogos da temporada, a liga chegou a um acordo com os jogadores e eles poderão, caso queiram, usar frases de protesto na parte de trás de suas camisas. Nos primeiros quatro dias de jogos, a frase poderá substituir o nome do jogador. Depois, ela terá de estar abaixo do nome. Há uma lista com mensagens pré-aprovadas: Black Lives Matter (Vidas negras importam); Say Their Names (Diga seus nomes); Vote (voto); I Can’t Breathe (Eu não consigo respirar); Justice (Justiça); Peace (Paz); Equality (Igualdade); Freedom (Liberdade); Enough (Chega); Power to the People (Poder para as pessoas); Justice now (Justiça agora); Say Her Name (Diga o nome dela); Sí Se Puede (Sim, podemos); Liberation (Libertação); See Us (Nos veja); Hear Us (Nos escute); Respect Us (Nos respeite); Love Us (Nos ame) Listen (Ouça); Listen to Us (Nos ouça); Stand Up (Se posicione); Ally (Aliado); Anti-Racist (Anti-racista); I Am A Man (Eu sou homem); Speak Up (Fale); How Many More (Quantos mais); Group Economics (Economia de grupo); Education Reform (Reforma da educação) e Mentor (Mentor).

Com o apoio direto da liga, times e jogadores, sem medo de represálias por “se envolverem em política”, não têm escondido seu engajamento no movimento. Atual campeão, o time Toronto Raptors customizou o ônibus do time com a cor preta e a frase “Black Lives Matter”. Jogadores como Jaylen Brown, do Boston Celtics, Giannis Antetokuonmpo, do Milwaukee Bucks, Russell Westbrook, do Houston Rockets, e Stephen Curry, do Golden State Warriors, já foram em marchas gritar “Vidas Negras Importam”. LeBron James, o melhor jogador da atualidade, atualmente no Los Angeles Lakers, disse em entrevista que, para uma pessoa negra como ele, “Black Lives Matter” não é um movimento, mas um estilo de vida.

Jrue Holiday, do New Orleans Pelicans, em treino da Flórida em 22 de julho: apoio total ao “Black Lives Matter” (Photo by Jesse D. Garrabrant/NBAE via Getty Images)

Jrue Holiday, do New Orleans Pelicans, em treino da Flórida em 22 de julho: apoio total ao “Black Lives Matter” (Photo by Jesse D. Garrabrant/NBAE via Getty Images) (Jesse D. Garrabrant/NBAE via Getty Images)/Getty Images)

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