Globo de Ouro: vitória de Kleber e Wagner na premiação foi histórica (Reprodução/Globo de Ouro)
Repórter
Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 11h40.
Última atualização em 12 de janeiro de 2026 às 12h28.
A noite do último domingo, 11, não foi histórica apenas para o cinema brasileiro com as vitórias de Wagner Moura como Melhor Ator e O Agente Secreto como Melhor Filme em Língua-Não Inglesa no Globo de Ouro. Foi uma combinação jamais vista na história da premiação.
Nunca no Globo de Ouro um filme que ganhou como melhor produção estrangeira conseguiu fazer com que seu ator principal levasse a estatueta para casa, como foi o caso do feito brasileiro.
A situação já aconteceu com a categoria de atriz principal. Em 2017, na 74ª edição do prêmio, a produção francesa Elle levou o Globo de Ouro de Filme Estrangeiro e consagrou Isabelle Huppert como Melhor Atriz em Drama.
A combinação melhor diretor e melhor filme estrangeiro também já ocorreu, caso da vitória de Roma, em 2019, quando a produção mexicana levou para casa o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Roteiro e Melhor Diretor (Alfonso Cuarón).O ator baiano venceu o Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Drama, pelo trabalho em O Agente Secreto. É a primeira vez que um brasileiro conquista o feito. O longa de Kleber Mendonça Filho, que concorria a outras duas categorias, também venceu o prêmio de Melhor Filme de Língua Não-Inglesa.
No discurso de agradecimento, Moura dedicou o prêmio aos brasileiros e fez os momentos finais em português. "Esse é um filme sobre a falta de memória. Se o trauma pode passar por gerações, os valores podem também".
O baiano concorria com Joel Edgerton (Sonhos de Trem), Oscar Isaac (Frankenstein), Dwayne Johnson (Coração de Lutador), Michael B. Jordan (Pecadores) e Jeremy Allen White (Springsteen: Salve-me do Desconhecido).
O Agente Secreto, produção de Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, venceu o Globo de Ouro de Melhor Filme de Língua Não-Inglesa na noite deste domingo.
Esta é a terceira vez que o Brasil conquista a estatueta nesta categoria. A primeira foi com Orfeu Negro (1960) e a segunda com Central do Brasil (1999). Ao longo dos anos, o cinema nacional recebeu nove indicações.
"Queria dar um 'oi' para o público que nos assiste do Brasil", disse o diretor Kleber Mendonça Filho ao agradecer a honraria no palco. "Pessoas da América Latina também fazem filmes".
O Agente Secreto concorria com Foi Apenas um Acidente (França), A Única Saída (Coreia do Sul), Valor Sentimental (Noruega), Sirât (Espanha) e A Voz de Hind Rajab (Tunísia).
O prêmio para produções estrangeiras foi introduzido pela primeira vez na 7ª edição do Globo de Ouro, em 1949, como Melhor Filme Estrangeiro em Língua Estrangeira, e voltou a ser concedido anualmente a partir de 1957. De 1948 a 1972, coexistiu com a categoria de Melhor Filme Estrangeiro em Língua Inglesa, destinada a filmes em inglês produzidos fora dos Estados Unidos.
As duas categorias foram fundidas em Melhor Filme Estrangeiro em 1973, e passaram a premiar qualquer filme não-americano, independentemente do idioma. Essa mudança foi revertida em 1986, quando o prêmio foi renomeado para Melhor Filme Estrangeiro em Língua Estrangeira — embora essa última alteração também tenha permitido a participação de filmes americanos em outros idiomas, como os vencedores Cartas de Iwo Jima e Minari.
O prêmio era originalmente equivalente ao já existente Melhor Filme Estrangeiro em Língua Inglesa — isso para longas em inglês produzidos fora dos Estados Unidos.
A lista exclui filmes dos Estados Unidos e inclui co-produções.