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Funeral online e app zen dão fôlego a templos budistas do Japão

Os templos budistas japoneses, há mais de um milênio no país, se reinventam com a pandemia agora que padres e monges se voltaram ao digital como modo de gerar renda

Como a pandemia de coronavírus força as instituições em todo o mundo a mudar a maneira como fazem as coisas, esses novos empreendimentos são algumas das maneiras pelas quais os grupos budistas no Japão estão tentando sobreviver. Seus templos são parte da paisagem: há cerca de 77.000, mais do que o número das onipresentes lojas de conveniência japonesas.

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A Covid-19 tem causado mais dor para as organizações budistas que já lutam nos últimos anos devido ao encolhimento da população do Japão e declínio do interesse pela religião entre os jovens. Uma estimativa é que a renda total dos templos caiu pela metade em cinco anos até 2020. E agora o vírus reduziu as doações para serviços como funerais que os templos realizam.

Os templos budistas prosperam no Japão há mais de um milênio. Mas precisam de dinheiro para operar, e a pandemia levou alguns padres e monges a pensar em novas maneiras de gerar renda. É um reflexo da maneira como os setores em todo o mundo, de viagens a jantares e varejo, estão tendo que improvisar enquanto as restrições prejudicam seus negócios habituais.

Ryosokuin, um templo Zen com mais de 660 anos de história em Kyoto, é um desses inovadores. Diante da queda nos serviços como memoriais e turismo, a organização impulsionou suas operações online. Ela desenvolveu um aplicativo de meditação que foi baixado mais de 15.000 vezes que deve gerar receita, e organizou uma comunidade online de meditação zen chamada UnXe, que significa ‘sentado na nuvem’.

“Quando perdemos visitantes e as doações caíram, percebemos que nossa forma convencional dar suporte às nossas operações não funciona mais”, disse Toryo Ito, vice-sacerdote chefe do templo. “Precisamos nos adaptar a um estilo de gestão que vai ao encontro dos tempos.”

O budismo tem uma história que remonta ao século 6 no Japão, mas poucos períodos trouxeram tais desafios. Mais de um terço dos templos pode desaparecer até 2040, à medida que a população envelhece, de acordo com Kenji Ishii, professor de estudos religiosos da Universidade Kokugakuin, em Tóquio.

Tsukiji Hongwanji templo de 400 anos próximo a Tóquio.

Tsukiji Hongwanji templo de 400 anos próximo a Tóquio. (Reprodução/)

A receita do templo também está caindo. O número total provavelmente caiu cerca de 51% desde 2015 para 263 bilhões de ienes (US$ 2,4 bilhões) em 2020, de acordo com estimativas de Hidenori Ukai, sacerdote chefe do templo Shokakuji em Kyoto e jornalista freelance.

A pandemia está aumentando os problemas financeiros em uma ampla faixa da sociedade japonesa. Enquanto a economia está recuperando, um estado de emergência nas principais cidades continuou a pesar sobre os gastos dos consumidores. E as empresas que atendem clientes cara a cara, como varejistas, foram atingidas de forma especialmente dura, resultando em uma enxurrada de falências de restaurantes e hotéis.

Tsukiji Hongwanji, um templo de quatro séculos perto do antigo mercado de peixes de Tóquio, é outra organização que tenta tirar o melhor proveito do período. Ele começou serviços funerais online em maio passado para famílias que não querem reuniões para a despedida dos falecidos, e já fez cerca de 70 desses eventos, de acordo com Yugen Yasunaga, diretor representante e sacerdote do templo.

A organização também está se aventurando em áreas pelas quais templos sóbrios não são tradicionalmente conhecidos, como serviços de casamento, café e aulas de ioga, disse Yasunaga, que trabalhou em um grande banco japonês por mais de duas décadas antes de iniciar sua carreira no Tsukiji Hongwanji. “Assim como a Amazon.com responde às várias necessidades dos clientes online, um templo pode fazer o mesmo”, disse ele.

Outra área que as instituições religiosas japonesas estão explorando cada vez mais é o investimento ambiental, social e de governança. Tokuunin, um templo zen budista no centro de Tóquio, comprou títulos sociais de 40 anos vendidos pela Universidade de Tóquio.

“Em um momento em que mal conseguimos obter retorno de economias de longo prazo, estamos felizes por poder contribuir para ajudar a sociedade e, ao mesmo tempo, ganhar retornos suficientes para cobrir a inflação”, disse Yuzan Yamamoto, sacerdote-chefe.

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