Casual

Dia do Graffiti: da periferia ao circuito cultural, a arte que reinventou as cidades brasileiras

Instituído por lei municipal em 2004, no dia 27 de março, o Dia do Graffiti — uma data que nasceu em São Paulo e hoje simboliza muito mais do que a arte nos muros

Graffiti de Ozi, em frente ao Coletivo 308 no Cambuci, bairro onde Os Gêmeos começaram a grafitar nos anos 1980 (Carmen Fukunari/Exame)

Graffiti de Ozi, em frente ao Coletivo 308 no Cambuci, bairro onde Os Gêmeos começaram a grafitar nos anos 1980 (Carmen Fukunari/Exame)

Carmen Fukunari
Carmen Fukunari

Editora de arte

Publicado em 27 de março de 2026 às 09h00.

Última atualização em 27 de março de 2026 às 14h47.

A data presta homenagem ao artista etíope Alex Vallauri, um dos precursores da arte urbana no país. A escolha também remete às primeiras intervenções coletivas realizadas nos anos 1980, quando o graffiti começou a ocupar túneis, avenidas e bairros inteiros de São Paulo. De lá para cá, o que era visto como transgressão ganhou novos significados — e novos espaços.

Da rua para o mundo

No Brasil, o graffiti se consolidou como uma linguagem artística ligada ao movimento hip-hop e às periferias, funcionando como ferramenta de expressão, denúncia e identidade. Mais do que estética, tornou-se um instrumento de ocupação simbólica da cidade, questionando desigualdades e dando visibilidade a grupos historicamente marginalizados.

São Paulo, em especial, virou referência global. Projetos como o Museu Aberto de Arte Urbana (MAAU) e artistas como Os Gêmeos e Eduardo Kobra ajudaram a colocar o país no mapa internacional, com murais monumentais e uma linguagem visual própria.

O graffiti transita entre dois mundos: continua nas ruas — seu território original e democrático —, mas também ocupa galerias, museus e grandes exposições, ampliando o diálogo com novos públicos.

O graffiti entra no circuito institucional

A presença crescente em espaços culturais mostra como a arte urbana deixou de ser marginal para se tornar parte do circuito oficial. Exposições recentes resgatam sua trajetória, conectando o graffiti brasileiro às suas origens globais e à diversidade de estilos contemporâneos — do muralismo às intervenções digitais.

Esse movimento não esvazia sua potência. Pelo contrário: amplia seu alcance e reforça o graffiti como linguagem central da cultura urbana contemporânea.


A arte que vem das ruas: 5 exposições em cartaz em São Paulo

Simone Siss, com a obra selecionada pela cantora Madonna para ilustrar a capa do single "Superstar", na mostra Grafite: a arte que grita cultura (Arquivo pessoal/Divulgação)

  1. Grafite: a arte que grita cultura
    A mostra celebra a potência do graffiti como linguagem cultural da cidade, reunindo artistas contemporâneos e diferentes estilos da arte urbana. Entre os artistas presentes estão nomes de destaque da cena urbana, como Rui Amaral, Nina Pandolfo e Os Gêmeos, além de dezenas de outros artistas que ajudaram a construir a identidade visual do grafite brasileiro. Realizada pela Fundação Padre Anchieta, a mostra reforça como a estética das ruas ultrapassou seus territórios originais e conquistou museus, galerias e espaços culturais, consolidando o grafite como uma das linguagens artísticas mais importantes da arte contemporânea brasileira.Solar Fábio Prado

Av. Brig. Faria Lima, 2705 – Jardim Paulistano – São Paulo (SP)
De terça a domingo, das 10h às 18h
Até 26 de abril


SER: obra de Daniel Melim, exposta na Pinacoteca de São Bernardo (SP) (Sylvia-Sanches/Divulgação)

  1. Reflexos Urbanos: a arte de Daniel Melim
    A exposição apresenta uma verdadeira retrospectiva do trabalho de Daniel Melim — um mergulho em seu processo criativo a partir do olhar de dentro do ateliê. Ao lado de obras que marcaram sua trajetória, o público encontrará trabalhos inéditos que apontam novos caminhos em sua produção.

Pinacoteca de São Bernardo do Campo
Rua Kara, nº 105 – Jardim do Mar – São Bernardo do Campo (SP)
De 31 de janeiro a 28 de março
Terça, das 9h às 20h; quarta a sexta, das 9h às 17h; sábado, das 10h às 16h


  1. Suporte indomável / Grafiteira Pela Vida das Mulheres (Dia do Graffiti)
    A exposição coletiva reúne artistas de diferentes gerações que expandem o graffiti para outros suportes e linguagens visuais, propondo um diálogo entre tradição, experimentação e contemporaneidade, além de reafirmar a força estética e social da arte urbana brasileira. Simultaneamente, a Ação Educativa apresenta a exposição Grafiteira Pela Vida das Mulheres, do coletivo Mulheres Urbanas. Aberta ao público no dia 27 de março, a partir das 17h, a mostra reúne obras que transitam entre o manifesto político e a expressão sensível, abordando temas como autonomia, identidade, violência e liberdade. Em comum, os trabalhos oferecem uma leitura crítica da cidade e afirmam o protagonismo feminino nas ruas e nos circuitos artísticos.

Centro MariAntonia da USP, Edifício Rui Barbosa
Rua Maria Antônia, 294 – Vila Buarque – São Paulo (SP)
De 27 de março a julho de 2026


Da música ao graffiti: 50 anos de história da arte de rua em mostra na exposição no Sesc 24 de Maio (Carmen Fukunari/Exame)

  1. Exposição: Hip Hop 50 Anos de Cultura
    Últimos dias para conferir a exposição Hip Hop 50 Anos de Cultura, em cartaz no Sesc 24 de Maio. A mostra percorre cinco décadas de história do hip-hop, desde suas origens no Bronx, em Nova York, nos anos 1970, até sua consolidação como fenômeno global — com forte presença nas periferias brasileiras, especialmente em São Paulo. A exposição reúne fotografias, obras visuais, documentos históricos, vídeos, instalações imersivas e figurinos que revelam como o hip-hop se transformou em uma poderosa linguagem cultural e artística. Entre os destaques está a participação da dupla Os Gêmeos, que colaborou no processo curatorial e na concepção artística da mostra.

Sesc 24 de Maio
Rua 24 de Maio, 109, Centro, São Paulo (SP)
Em cartaz até 29 de março


Hudinilson Jr. Grafitando “Ahhh! Beije-me”, São Paulo, 1979. (Cortesia Martins&Montero/Divulgação)

  1. Ahhh! Beije-me – Hudinilson Jr.
    A mostra celebra a vida e a obra de Hudinilson Jr., um dos artistas icônicos da cena dos anos 1980. Reúne pinturas, colagens, painéis em xerox, objetos e uma série de trabalhos inéditos, além de fotos documentais da casa do artista.

Galeria Martins&Montero
Rua Jamaica, 50, Jardim America, São Paulo (SP)
De 26 de março a 25 de julho


Acompanhe tudo sobre:Casual

Mais de Casual

11 novidades da música para ouvir nesta semana

A Moët & Chandon traz ao Brasil a 'champanhe do futuro'

6 livros recém-lançados para atualizar as leituras nesta semana

A caixinha de música sem tela que lucra driblando o vício digital das telas