BBB 21, Copa do Mundo e a participação de Neymar em ambos

Tão popular quanto a Copa do Mundo ou os Jogos Olímpicos, o BBB vem atraindo diversas atenções, desde celebridades a temas como machismo, racismo e LGBT

Embora seja conhecido por suas telenovelas, o Brasil se mantém fiel ao 'reality show' Big Brother, que em sua 21ª edição continua atraindo milhões de telespectadores, inclusive o craque Neymar. Quase diariamente, o astro do Paris Saint-Germain compartilha com seus seguidores no Twitter suas impressões sobre os participantes do "BBB" (Big Brother Brasil).

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Nos primeiros 60 dias de programa, o BBB21 teve alcance médio diário de 39,9 milhões de pessoas, registrando média de 27 pontos de audiência e 50% de participação, batendo o recorde de audiência das sete edições anteriores e superando o BBB20 em 17% (+ 4 pontos) em relação ao mesmo período da temporada anterior.

Os números impressionantes fazem sua difusora, a TV Globo, esfregar as mãos com o bom negócio: a 21ª edição será a mais longa da história, com cem dias de programa e, sobretudo, a mais lucrativa.

As logos das marcas são onipresentes em todas as provas organizadas na "Casa mais vigiada do Brasil", a mansão com piscina onde os 'brothers' se isolam do mundo e superam desafios sob o escrutínio de 11 câmeras e microfones que os vigiam 24 horas por dia.

O valor de três peças publicitárias de 30 segundos é suficiente para pagar o prêmio final, de 1,5 milhão de reais, disputado pelos participantes. Mas para além destas cifras impressionantes, o programa se tornou um verdadeiro fenômeno social, amplificado nos últimos anos pelas redes sociais. Além dos famosos que acompanham as peripécias dos participantes, youtubers desconhecidos passaram a acumular fortunas, atraindo milhões de assinantes com seus comentários e análises do 'reality show'.

Popular "como a Copa"

"A cada ano, quando o BBB começa, se torna o principal tema de conversas, como a Copa do Mundo ou os Jogos Olímpicos", diz à AFP Laurens Drillich, presidente da Endemol Shine Latino, braço latino-americano dos produtores que criaram o conceito do Big Brother na Holanda, em 1999. E como um gol feito na Copa, os fãs vibram em frente à televisão quando seus candidatos favoritos se salvam da eliminação.

"Temos um público apaixonado pelo programa. Vemos pessoas comemorando resultados de provas e paredões nas janelas e varandas Brasil afora. Isso nos dá uma motivação extra para colocar esse programa no ar de domingo a domingo", acrescenta o diretor-geral do Big Brother Brasil na Rede Globo, Rodrigo Dourado.

O bom desempenho do programa representou um alívio para a TV Globo, que devido à pandemia se viu obrigada a suspender durante quase um ano a produção de novelas, limitando-se a passar reprises no horário nobre. "Não dá para pensar em BBB sem pensar no B de Brasil", explica o antropólogo Michel Alcoforado, sócio-fundador do Grupo Consumoteca.

"O BBB dá certo porque é um 'reality show' que consegue se conectar diretamente com a tradição brasileira das telenovelas, que sempre estiveram diretamente relacionadas com as causas do cotidiano, como um espelho da sociedade", afirma. Mas diferentemente das novelas, neste programa é a audiência que escolhe o vencedor, através do voto popular.

Temas sociais sobre a mesa

Após dois anos de mandato do governo de Jair Bolsonaro, a sociedade brasileira está profundamente dividida e agora, enlutada, pelas mais de 300.000 mortes da pandemia, que também causa uma grave crise econômica em um país extremamente desigual.

Para Michel Alcoforado, "desde a entrada do Bolsonaro no governo, o que a gente observa é que há um esvaziamento da discussão no Brasil de maneira geral", com cada lado entrincheirado em sua posição. Com uma abordagem mais leve, o "BBB retoma pautas que são fundamentais para a sociedade brasileira na mesa de jantar", afirma o antropólogo, enumerando o machismo, o racismo, a temática LGBT.

No entanto, o Big Brother Brasil nem sempre foi uma ode à diversidade. "Antes, o perfil era muito padronizado. Todos os homens fortes, musculosos e mulheres de capa de revista", lembra Felipe Oliveira, homem negro de 34 anos que participou da oitava edição, em 2008.

"O BBB soube se reinventar. A sociedade mudou ao longo de 20 anos e o BBB soube se posicionar", afirma Oliveira, analista de relacionamentos do Instituto Identidades do Brasil (ID_BR), que luta pela igualdade racial no mundo corporativo.

"Quando participei do programa, teve uma determinada situação que fiquei 1h, 1h30 discutindo sobre ações afirmativas [para fomentar a igualdade racial]. Isso não passou na edição do programa. Hoje em dia cada vez que tem uma pauta mais delicada, como a LGBTfobia, acaba passando", conclui.

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