A vida imita a arte? Conheça por dentro as casas de artistas pelo mundo

Publicação lançada pela Phaidon, traz fotografias, entrevistas e curiosidades de mais de 250 casas que abrigaram os mais diversos artistas

Os mais famosos quadros do pintor francês Claude Monet foram feitos no jardim de sua casa, em Giverny, na França, inspirados na pequena ponte e nas flores de seu quintal. Já Christian Dior, criou perfumes inspirados nas flores de seu jardim na Provença. É isto (e muitas curiosidades de arquitetura) que o recém lançado livro Life Meets Arts (Sam Lubell, £39.95, Phaidon) oferece: um tour por dentro de casas inspiradoras e exclusivas do mundo. O livro conta com as propriedades de mais de 250 personalidades, entre eles Pablo Neruda, Gianni Versace, Leonardo da Vinci, Louis Armstrong, Alexander McQueen e Elvis Presley. 

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Para o autor do livro, Sam Lubell, não há um objeto ou elemento característico em comum nas casas que visitou. Mas, “uma coisa que descobri na pesquisa para o livro é que as casas agem como refletores de seus criadores, são extensões das pessoas. [visitar a casa] Pode ser muito revelador sobre suas fontes de criatividade. É quase como outra biografia de alguém”, disse em entrevista à Editora Phaidon. 

O autor de Os Miseráveis, Victor Hugo, se interessava por marcenaria, e criou alguns dos móveis de sua casa em Paris.

O autor de Os Miseráveis, Victor Hugo, se interessava por marcenaria, e criou alguns dos móveis de sua casa em Paris. (Pierre Antoine/Maisons Victor Hugo/Reprodução)

Porém, quando se trata de tendência, os diferentes criativos possuem espaços em comum em suas casas. Como é de se esperar, artistas possuem estúdios e todos estes espaços “tendem a receber luz natural indireta”, conta à editora. Os escritores costumam ter um quarto para escapar das visitas, e muitos dos escritórios catalogados, aparecem em áreas elevadas das casas. Já os arquitetos refletem seu estilo por toda a casa, conta Lubell.

O oposto também ocorre, casas de artistas que eram um misto de bagunça e desleixo, ao contrário de suas obras primas. É o caso do casal Jackson Pollock e Lee Krasner, nos Hamptons, Estados Unidos. “As pessoas conhecem Pollock pela pintura em todos os lugares e por sua exuberância artística como casal, mas a casa em si é bastante deselegante e rústica.” Uma teoria de Lubell é que ao focar no trabalho e no estúdio, o resto da casa fica desfavorecido de cuidados. 

Outro exemplo que o autor cita é do arquiteto Le Corbusier. Vanguardista nos movimentos cubista e expressionista, o urbanista francês possuía uma cabana muito modesta na Riviera Francesa. “É algo surpreendente”, conta Lubell à editora, “mas, quando você olha mais de perto e vê que há elementos pré-fabricados, cores e uma certa rejeição aos chalés ao redor, entende que é uma casa de campo moderna para a área, embora ainda não seja o que você esperaria de Corbusier.”

Extravagância e ostentação são sinônimos de arquitetura e decoração que abrigaram artistas como Elvis Presley. A famosa mansão de Graceland, em Memphis, tem na sala de estar vitrais de pavões e móveis brancos. Já a exótica sala “Jungle Room”, conta com carpete verde, cascata interna e parede de pedra. Hoje, a mansão de 1.600 m² abriga um museu da história do cantor. 

Hoje convertida em museu, a Mansão Graceland foi onde viveu e morreu Elvis Presley. O segundo andar da casa é fechado à visitação em memória ao cantor.

Hoje convertida em museu, a Mansão Graceland foi onde viveu e morreu Elvis Presley. O segundo andar da casa é fechado à visitação em memória ao cantor. (Elvis Presley Enterprises/Reprodução)

No caso da casa de Gianni Versace, o estilista italiano construiu um palacete, a Mansão Versace em Miami Beach. Hoje em dia, a mansão abriga um hotel boutique rebatizado de Villa Casa Casuarina. Com dez suítes, o hotel ainda possui a piscina desenhada por Versace com detalhes de ouro 24 quilates. Na Suíte Master Gianni, com 139 m² e decorada com afrescos, a diária custa a partir de R$ 6.700 para uma pessoa. 

O livro traz um misto de curiosidades e inspirações das casas que artistas decoraram, viveram e desenvolveram suas obras. Após 2020, ano em que muitas pessoas passaram dentro de casa e converteram algum ambiente para escritório, o autor sugere que sua nova publicação “pode ser inspiradora para as pessoas, ajudando-as a pensar que sua casa deveria ser uma tela de quem são”, finaliza Lubell.

Life Meets Art é o recente lançamento da editora Phaidon, com uma seleção de mais de 250 casas de artistas pelo mundo.

Life Meets Art é o recente lançamento da editora Phaidon, com uma seleção de mais de 250 casas de artistas pelo mundo. (Phaidon/Reprodução)

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