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A 'incrível experiência' de uma juíza transgênero da canoagem

Um ano atrás, Kimberly Daniels era um homem e teria autado como juiz nos Jogos de Tóquio. Mas o adiamento devido à pandemia de covid-19 mudou tudo

A juíza canadense Kimberly Daniels. (AFP/AFP)

A juíza canadense Kimberly Daniels. (AFP/AFP)

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AFP

Publicado em 29 de julho de 2021 às 09h14.

A jurada canadense de canoagem Kimberly Daniels relatou, nesta quinta-feira (29), sua "incrível experiência" de, finalmente, poder ser "ela mesma" no centro de um evento tão importante como as Olimpíadas de Tóquio.

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Um ano atrás, Kimberly Daniels era um homem e teria autado como juiz nos Jogos de Tóquio. Mas o adiamento devido à pandemia de covid-19 mudou tudo.

"Meu projeto em princípio era vir para estes Jogos como um homem, mas não foi possível, devido à covid-19 (e ao adiamento das Olimpíadas por um ano). Então, comecei minha transição. Por respeito à minha família, não tinha certeza se viria. Mas minha filha me disse: 'Pai, vamos juntos, vamos celebrar a igualdade de gênero juntos'", contou a juíza.

Sua filha, Hayley, foi eliminada nesta quarta-feira na classificação da competição feminina de canoagem, a primeira da história nos Jogos. As duas compareceram juntas em entrevista coletiva nesta quinta-feira.

"Kimberly é meu pai, também tenho uma mãe. É difícil de entender, não existe um manual de transição. Pai, estou muito orgulhosa de você", disse Hayley em um momento muito comovente na grande tenda branca do centro de imprensa.

"Os Jogos são uma experiência incrível, para aproveitar do início ao fim", frisou a juíza.

"Até agora, tem sido uma experiência muito positiva. Não tive nenhuma reação negativa e agradeço à comunidade náutica por seu espírito aberto, sendo tão positiva, acolhedora e compreensiva", observou Kimberly Daniels.

'Me sinto em paz'

"Sou transgênero, fui toda minha vida. Para mim, foi um bom momento. Vir aqui foi assustador, mas finalmente pude ser eu mesma. Queríamos compartilhar essa história para mostrar que somos apenas pessoas normais. Gênero não é só homem, ou mulher. Só peço uma coisa: respeito. É uma palavra muito importante", frisou.

Kimberly Daniels não é a primeira personalidade transgênero no mundo náutico a se abrir publicamente. O campeão olímpico francês de 1996 Wilfrid Forgues se tornou Sandra e, em 2016, tornou pública essa decisão.

"Poder me apresentar como mulher hoje era o meu objetivo. Hoje me sinto em paz. Estava preparada para o pior, mas entre o hotel e o transporte conversei com vários voluntários, e todos foram incríveis. Pude ver seus sorrisos, e isso significou muito para mim", continuou ela.

A canadense afirma ter como modelo a americana Caitlyn Jenner, campeã olímpica do decatlo como William Bruce Jenner em 1976 antes de se tornar mulher e uma referência.

"Li todas as entrevistas dela. Temos mais ou menos a mesma idade e somos ex-atletas. Eu disse a mim mesmo: 'se ela conseguiu fazer...'. Isso me deu confiança", acrescentou.

Kimberly Daniels foi jurada nesta quinta-feira na final de canoagem feminina.

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