Carreira

Uma carta, 3 conselhos: as lições de Luiza Trajano para o filho sobre o primeiro emprego

A empresária escreveu uma carta para Fred Trajano quando ele começou a trabalhar. 'A melhor fortuna que uma mãe pode ter é ver o filho trabalhando com propósito'

Luiza Helena Trajano, da Magazine Luiza: “A melhor fortuna que uma mãe pode ter é ver os filhos bem encaminhados, trabalhando com um propósito”, diz Trajano (Leandro Fonseca /Exame)

Luiza Helena Trajano, da Magazine Luiza: “A melhor fortuna que uma mãe pode ter é ver os filhos bem encaminhados, trabalhando com um propósito”, diz Trajano (Leandro Fonseca /Exame)

Publicado em 10 de maio de 2026 às 07h58.

Última atualização em 10 de maio de 2026 às 09h05.

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"Eu nunca pedi para o meu filho liderar a Magazine Luiza, foi uma decisão dele", diz Luiza Trajano, hoje presidente do Conselho da Magazine Luiza e presidente do Grupo Mulheres do Brasil, em entrevista exclusiva ao "De frente com CEO", da EXAME.

Como sobrinha dos fundadores da rede varejista de Franca, Luiza viu na família empreendedora a possibilidade de não só trabalhar, mas de gerar um impacto na sociedade. Hoje, a Magalu emprega cerca de 37 mil pessoas, além dos programas que Trajano lidera para incentivar empreendedoras e mulheres na política.

Seu filho, Fred Trajano, se tornou CEO da Magazine Luiza apenas em 2016, entrando para liderar a transformação digital e a multicanalidade.

“Eu levava eles nos eventos desde pequenos, ele acabou tendo uma ligação com o negócio", diz Luiza. “Um belo dia ele falou: ‘Eu vou montar um digital, vou montar um site’.”

Segundo Luiza, Fred também teria ajudado a evitar a separação entre operação física e digital.

“Ele falava que não acreditava que a alma funciona fora do corpo’.”

Veja também: ‘A força da loja física voltou’: Luiza Trajano explica a nova estratégia da Magazine Luiza

A carta do primeiro emprego

Antes de entrar para trabalhar na Magazine Luiza, Luiza conta que Fred trabalhou fora da companhia familiar antes de entrar no negócio da família.

"Ele veio para São Paulo fazer faculdade e antes da Magalu ele trabalhou oito anos no mercado fora,” diz.

O primeiro emprego de Frederico Trajano foi no Deutsche Bank, onde atuou como analista de empresas de varejo, cobrindo, inclusive, concorrentes do Magazine Luiza. Na oportunidade, Luiza escreveu ao filho uma carta.

Mais do que um gesto materno, o conteúdo virou uma síntese da filosofia de liderança da empresária, e traz 3 aprendizados para qualquer profissional - que podem valer para quem está há anos no mercado ou recomeçando uma nova carreira.

1 - Acredite em você e no seu potencial de evolução

O primeiro conselho da carta veio como uma palavra que estimula a autoconfiança.

“Acredite em você mesmo”, disse Trajano ao relembrar a carta.

A fala vem acompanhada de uma visão importante sobre desenvolvimento: ninguém está “pronto”, e isso não deve ser uma barreira. Ao longo da entrevista, ela critica, inclusive, a insegurança comum entre profissionais, especialmente mulheres, que sentem que precisam estar 100% preparadas antes de assumir novos desafios, inclusive para liderança.

“Eu sempre me senti preparada para liderar a companhia”, diz Trajano. “Por isso encorajo muitas mulheres que muitas vezes desconfiam de que são capazes de liderar uma equipe ou companhia”.

A mensagem central é de que confiança não é ponto de chegada, mas o ponto de partida.

2 - Descubra sua missão e dê sentido ao trabalho

Outro trecho da carta reforça a importância de propósito:

“Você tem uma missão. Descubra ela”, afirma.

Para Trajano, carreira não deve ser apenas execução de tarefas, mas um caminho conectado a significado. Essa visão aparece também na forma como ela conduz negócios e iniciativas sociais, como o Grupo Mulheres do Brasil.

Na prática, isso se traduz em uma pergunta-chave: por que você faz o que faz?

“A melhor fortuna que uma mãe pode ter é ver os filhos bem encaminhados, trabalhando com um propósito”, diz Trajano.

Veja também: Mães e empreendedoras: como elas estão redesenhando a liderança em SC

3 - Seja curioso e proativo: a “capacidade de fuçar”

O terceiro aprendizado é menos convencional e talvez o mais característico da executiva.

“Desenvolver a capacidade de fuçar, de querer aprender tudo, de não perder oportunidade, é muito importante para quem quer chegar longe em uma carreira”, diz a empresária.

Aqui, Luiza fala de uma postura ativa diante da carreira. Não esperar oportunidades, mas buscá-las. Não se limitar ao escopo do cargo, mas explorar, testar e aprender continuamente.

Ela mesma aplica esse princípio: mesmo após décadas de carreira, segue estudando temas como inteligência artificial e tecnologia, reforçando que aprendizado contínuo é diferencial competitivo.

Liderança sem máscara e com humanidade

Além da carta, a entrevista revela um traço central da liderança de Trajano: autenticidade.

“Eu não visto uma capa”, afirma Trajano.

Para ela, liderar não é sobre perfeição, mas sobre transparência, capacidade de assumir erros e proximidade com as pessoas. Essa visão também aparece na forma como lida com falhas:

“Eu erro rápido, redireciono rápido e procuro não repetir o erro”.

O que fica para a carreira

A carta escrita ao filho sintetiza uma visão prática, e rara, sobre crescimento profissional:

  • confiança para começar,
  • propósito para sustentar,
  • curiosidade para evoluir.

Em um mercado cada vez mais dinâmico, a combinação pode parecer simples. Mas, como mostra a trajetória de Luiza Trajano, é justamente o básico bem executado que constrói carreiras duradouras.

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