Carreira

Um dia ela perdeu emprego por ser mulher. Hoje lidera a maior empresa do Brasil

Em entrevista ao podcast “De frente com CEO”, Magda Chambriard contou sobre sua trajetória profissional e as expectativas com o setor petroleiro

Magda Chambriard, presidente da Petrobras: “Um dia pararam a concretagem porque diziam que mulher na obra dava azar. Esse era o ambiente em que entrei, mas muita coisa mudou de lá para cá” (Leandro Fonseca/Exame)

Magda Chambriard, presidente da Petrobras: “Um dia pararam a concretagem porque diziam que mulher na obra dava azar. Esse era o ambiente em que entrei, mas muita coisa mudou de lá para cá” (Leandro Fonseca/Exame)

Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 11h54.

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“Chorei três dias quando perdi um emprego porque o diretor não queria mais mulheres na empresa.” O relato de Magda Chambriard, presidente da Petrobras, sintetiza uma trajetória marcada por resistência, escolhas contra a corrente e coragem para assumir riscos em um setor historicamente masculino.

Formada em engenharia civil, Chambriard decidiu seguir carreira na área ainda nos anos 1980, quando a presença feminina nos canteiros de obras era exceção.

“Como eu gostava muito das matérias de exatas, meu pai me incentivava a ser professora de matemática, mas eu era apaixonada por obras de construção e por isso decidi fazer engenharia civil”, contou no podcast De frente com CEO, da EXAME.

Ao sair da faculdade, o preconceito apareceu de forma explícita. Em um dos episódios que marcaram o início da carreira, ela relembra que uma obra chegou a ser paralisada ao vê-la chegar.

“Um dia pararam a concretagem porque diziam que mulher na obra dava azar. Esse era o ambiente em que entrei, mas muita coisa mudou de lá para cá”, afirmou.

A entrada na Petrobras veio por concurso, ainda na década de 1980. Não era comum ter mulheres no setor petroleiro, por isso ela viu algumas regras institucionais que tratavam homens e mulheres de forma diferente:

"O convênio médico, por exemplo, cobria apenas as esposas dos engenheiros, mas não cobria os maridos das engenheiras", disse. Quando questionados sobre o motivo, a explicação era explícita: “Eles falavam que não queriam que os maridos nos explorassem.”

Além disso, havia restrições operacionais como: mulheres não podiam embarcar em plataformas e nem pernoitar em instalações de campo, mesmo em terra.

“Hoje já tem muitas moças embarcadas, chefiando refinarias e trabalhando na empresa", afirmou.

De lá para cá, Chambriard passou por diferentes áreas técnicas e cargos de liderança, sem projetar grandes ambições hierárquicas.

“Quando entrei, dizia que queria ser, no máximo, assistente de diretor. Era um cargo alto e sem subordinados. Eu achava que não tinha aptidão para lidar com pessoas”, disse. A percepção dos colegas, no entanto, era outra. “Me diziam: ‘você tem que ser chefe, porque é muito mandona’. A vida foi me levando para novos cargos de liderança.”

Assumir riscos fora da estatal também foi determinante. Chambriard deixou a segurança da Petrobras para atuar na Agência Nacional do Petróleo (ANP), onde chegou ao cargo de diretora-geral.

“Sair do guarda-chuva da Petrobras foi muito difícil, mas fundamental para o meu crescimento. Foi essa coragem que me trouxe até aqui”, afirmou. Em junho de 2024, ela tomou posse como presidente da companhia.

Liderança no século XXI - o que mudou?

Hoje, à frente de uma empresa com mais de 45 mil funcionários e protagonismo global no setor de energia, Chambriard defende um modelo de liderança distante do autoritarismo que marcou gerações anteriores.

“A liderança da minha juventude era ‘manda quem pode, obedece quem tem juízo’. Hoje não é mais assim. Liderar é engajar pessoas em torno de um propósito comum”, afirmou. “É convencer de que estamos no caminho certo.”

Como a segunda mulher a ocupar a presidência da Petrobras, sua gestão também ficou marcada por um feito histórico: pela primeira vez há maioria feminina na diretoria executiva da empresa, com quatro mulheres e quatro homens.

“Eu apenas iluminei igualmente homens e mulheres e vi talentos em ambos. O equilíbrio foi natural”, disse.

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O que dá gás para ela seguir no comando da maior empresa do Brasil 

Para Chambriard, liderar a maior empresa do Brasil é um desafio diário sustentado por propósito.

“Essa empresa é apaixonante. Parece que a Petrobras inocula um vírus em quem entra aqui. Os funcionários viram sua família”, afirmou. “Eu digo que não preciso de serotonina nem de dopamina. Basta trabalhar aqui e sentir que contribuo para o Brasil.”

Mais do que resultados, ela vê na própria trajetória um símbolo de possibilidade. “Espero que minha presença aqui faça outras mulheres dizerem: eu também posso chegar lá.”

Veja a entrevista completa no podcast "De frente com CEO", da EXAME:

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