Redação Exame
Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 17h40.
Aos 29 anos, Kari Cobham se preparava para uma meia maratona enquanto ocupava um cargo de liderança em uma empresa de hotelaria. Saudável, produtiva e ambiciosa, não imaginava que um acidente vascular cerebral mudaria tudo. Sem licença remunerada e ainda em recuperação, ela voltou ao trabalho poucas semanas depois.
O impacto desse retorno precoce, somado à pressão do ambiente corporativo, se transformou em um divisor de águas, e no início de uma nova visão sobre liderança. As informações são do Business Insider.
O AVC aconteceu em 2011, e, mesmo sem estar 100% recuperada, Kari retomou suas funções em home office, sem tempo para assimilar o trauma.
Dificuldades de memória, confusão mental e cansaço extremo marcaram sua rotina de trabalho. Ainda assim, ela tentava manter o ritmo como se nada tivesse acontecido.
Sem um departamento formal de RH e com uma equipe acelerada, o espaço para vulnerabilidade era praticamente inexistente. “Parecia que eu estava correndo em uma esteira rápida demais, sem perceber que eu tinha o poder de mudar a velocidade”, escreve.
Foi nesse momento que ela entendeu que liderar não é resistir a todo custo, mas sim saber quando é hora de ajustar o passo.
Menos de um ano após o AVC, Kari estava grávida e liderava a comunicação de inaugurações em uma empresa de hospitalidade. Mesmo com a saúde em recuperação, continuava respondendo às pressões do cargo.
Mas a vivência da doença a ensinara uma lição valiosa de que a força de um líder está em saber onde colocar os limites.
Ela percebeu que liderança exige equilíbrio, não exaustão. O episódio serviu como um ponto de inflexão. Não liderava uma equipe naquele momento, mas já era clara a cultura que desejava cultivar nos ambientes em que atuasse no futuro.
Logo depois, Kari retornou ao jornalismo como executiva de mídias sociais em uma redação de TV em Orlando. Era o início de uma nova fase: recém-mãe, esgotada fisicamente, responsável por uma equipe e pela cobertura digital de um dos julgamentos mais tensos dos EUA à época, o caso George Zimmerman.
No caos do noticiário e da maternidade, aprendeu outra lição fundamental, que foi liderar em tempos difíceis não é estar em todos os lugares, mas garantir que o time tenha autonomia para seguir com confiança.
Esses momentos, segundo ela, foram centrais para construir a líder que é hoje. Mais do que controlar tudo, era preciso aprender a confiar e delegar.
Com o tempo, Kari migrou para o jornalismo independente, atuando hoje como diretora de programas de bolsas de estudo no The 19th News, apoiando jornalistas e talentos de universidades historicamente negras.
O AVC, a maternidade e os desafios profissionais mostraram que uma crise não invalida uma liderança, ela apenas reconfigura a forma de liderar. A vulnerabilidade virou ponte. O autocuidado virou exemplo. E a empatia se transformou em estratégia.
“Hoje, quando alguém da minha equipe precisa de tempo, penso na versão de mim mesma aos 29 anos, tentando correr mais rápido do que a própria recuperação. Dou a eles o espaço que eu mesma não me dei”, ela conta.
A masterclass “Liderança com Jorge Paulo Lemann” é gratuita e online. Você terá acesso a três módulos exclusivos que ensinam a pensar grande com clareza, executar com simplicidade e eficácia e construir uma rede de pessoas talentosas para impulsionar sua carreira.
Com essa masterclass você pode: