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Sócios do BTG lançam instituto tech inspirado em Stanford e no MIT

Faculdade que busca desenvolver lideranças em tecnologia nasce a partir da idealização de sócios do banco e de doação de R$ 200 milhões da família Esteves

A necessidade imperativa de formar lideranças em tecnologia vai fazer o país ganhar uma nova faculdade em meio à pandemia, o Instituto de Tecnologia e Liderança (Inteli). A iniciativa sem fins lucrativos é liderada por André Esteves e família, Roberto Sallouti e outros sócios do BTG Pactual.

"O Inteli nasceu da necessidade que o país tem de se tornar mais relevante no desenvolvimento de tecnologia. Queremos formar futuros líderes", afirma André Esteves, que realizou com sua família uma doação de 200 milhões de reais para viabilizar o nascimento do projeto. O BTG entra com apoio institucional para a faculdade.

"Vamos oferecer um ensino que vai além da computação, integrando ao currículo disciplinas como empreendedorismo, economia de mercado, estado de direito e sustentabilidade. Será a primeira faculdade de tecnologia baseada em projetos do Brasil”, completa o sócio sênior do BTG Pactual (do mesmo grupo que controla a EXAME).

"Estamos trabalhando no projeto há quase dois anos. Tivemos um 'click' de que poderíamos deixar um legado para o Brasil, como existe nos Estados Unidos em Stanford ou no MIT [o Massachusetts Institute of Technology]. Uma faculdade de tecnologia que forme lideranças", disse Sallouti, CEO do BTG Pactual, à EXAME.

A Universidade Stanford e o MIT são duas instituições de referência no mundo na área de tecnologia, ambas fundadas na segunda metade do século XIX a partir de iniciativas individuais que mobilizaram a sociedade à época.

As primeiras turmas estão previstas para fevereiro de 2022, inicialmente em quatro cursos de graduação presenciais: Engenharia da Computação, Engenharia de Software, Ciência da Computação e Sistemas de Informação.

Os cursos terão duração de quatro anos, divididos em 16 módulos. Além de aulas com professores, em cada módulo os estudantes desenvolverão um projeto real para atender as necessidades de um parceiro de mercado, sejam empresas privadas, startups ou ONGs.

Para o primeiro ano estão previstas 250 vagas. A meta é ter mil alunos matriculados até 2025, quando o ciclo estará completo (ou seja, com 250 alunos em cada um dos quatro anos da graduação). A faculdade terá alunos pagantes e bolsistas, com o objetivo de atrair jovens promissores, independentemente da condição socioeconômica.

Sallouti conta que o plano é que o Inteli possa se sustentar com seus próprios meios no médio prazo, com "vida própria". Além da doação inicial da família Esteves, há companhias e pessoas físicas que já tomaram conhecimento da iniciativa e que se comprometeram com doações para o projeto educacional. E haverá as mensalidades.

Os próximos passos do projeto incluem justamente a arrecadação de recursos para as bolsas futuras e a assinatura de um acordo para a instalação de um campus horizontal com 9.000 metros quadrados em São Paulo.

Um dos objetivos dos sócios do BTG desde o princípio é destacar o caráter "apartidário" da iniciativa acadêmica. Para tanto, a definição da diretoria e do conselho buscou nomes de profissionais com ampla experiência no segmento de educação.

A CEO do Inteli será Maíra Habimorad, anteriormente CEO da Cia de Talentos e diretora Acadêmica e de Inovação do Ibmec. Ana Garcia, co-fundadora da Brasa, será a Head de Operações; e Maurício Garcia, com mais de 30 anos de experiência como executivo acadêmico e de inovação em grandes grupos educacionais, será conselheiro acadêmico.

"Buscamos desenvolver um modelo acadêmico que ao mesmo tempo tivesse a densidade que existe nas faculdades de ponta e que trouxesse um olhar para a formação mais holística da liderança. Vamos ensinar competências através de projetos", diz Maíra.

Maíra conta que o Inteli já realizou um projeto-piloto no último ano e que fará mais dois em 2021 para testar o modelo e e daí executar os aperfeiçoamentos necessários. E conta que os resultados iniciais foram animadores. Foram 25 alunos que já estavam na gradução em outras instituições e um corpo docente com sete professores.

"Os alunos vivenciaram essa experiência de aprendizagem por projeto, que é a nossa proposta, por dez semanas. Os resultados foram espetaculares: tivemos 97% de presença em média e 60% dos alunos que concluíram conseguiram depois um emprego melhor do que eles tinham antes", conta Maíra. Segundo ela, o NPS do curso ficou em 91,3 pontos, acima do benchmark do setor de educação, que é de 70.

O conselho contará com André Esteves e Lilian Esteves, empresária e filantropa, como patrocinadores; Roberto Sallouti será o presidente do conselho.

Os demais membros serão Arthur Lazarte, co-fundador e CEO da Wildlife; Mark Maletz, membro sênior da Harvard Business School (HBS); Pedro Thompson, CEO da EXAME e ex-CEO da Estácio; Silvio Meira, PhD em Computação e co-fundador do Porto Digital em Recife; Ricardo Dias, co-fundador da Adventures Inc e antes vice-presidente de Marketing da Ambev; e Sofia Esteves, fundadora e presidente do Conselho do Grupo Cia de Talentos.

"Precisávamos atrair pessoas que pensam diferente da gente, com experiências diferentes. O objetivo não é formar programador para o banco, mas lideranças para a transformação digital do país", afirma Sallouti ao contar fatores que pesaram para os convites ao conselho. "O envolvimento tem sido incrível, com pessoas apaixonadas pelo projeto."

Como nasce uma faculdade

"Começou como uma ideia há quase dois anos. E depois passamos a estudar: 'quanto custa? Como é que faz? Qual o modelo?' Daí estudamos o mercado de educação, visitamos várias faculdades nos Estados Unidos, contratamos uma gerente de projetos, montamos um plano de viabilidade econômica", conta Sallouti sobre a gestação do Inteli.

Uma das instituições que serviram como benchmark é a Olin College, próxima a Boston, que funciona com uma metodologia de ensino com uso intensivo de projetos no currículo.

Segundo o executivo, um ano atrás foi tomada a decisão de "levar o sonho adiante e transformá-lo em realidade". A Inteli começava a tomar forma com o processo de escolha de professores, do conselho e da diretoria etc.

"Depois do primeiro desafio de saber se o sonho é viável e se a conta fecha, vem o desafio de como construir algo que tenha a credibilidade que nós queremos e como desenvolver um plano acadêmico. Como atrair excelentes professores? E um conselho que ajude a desenvolver o projeto e a dar credibilidade", conta.

"E daí vem o terceiro desafio depois de colocar tudo no papel: executar. Que é a fase em que estamos." Para Maíra, o desafio educacional futuro será formar professores dentro do modelo de ensino planejado. Segundo ela, os professores que vão dar aula no início da faculdade, em 2022, estão sendo recrutados neste momento e passarão por treinamento ao longo do segundo semestre.

"À medida que o Inteli avance, temos o sonho de disponibilizar essa metodologia de ensino que entendemos que funciona, de projetos e competências, para outras faculdades e escolas que tenham esse interesse", diz a CEO do Inteli sobre um dos sonhos grandes do projeto.

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