(Divulgação)
Redatora
Publicado em 20 de agosto de 2026 às 17h30.
Última atualização em 21 de agosto de 2026 às 10h44.
O Grupo Salta é hoje um dos maiores grupos de educação do Brasil em número de escolas e de alunos, com 175,9 mil estudantes matriculados em suas redes, incluindo 27,4 mil do programa Impulso, em parceria com o governo do Paraná.
Mesmo assim, o grupo detém apenas cerca de 2% de participação em um mercado extremamente fragmentado, o que define uma estratégia dos próximos anos.
Só neste ano, o Salta somou 15 novas escolas às redes Elite, Anglo Alante, Coleguium, Pensi e Ábaco. Entre elas está a aquisição da rede Ulbra, com cinco unidades: quatro no Rio Grande do Sul, marco de entrada do grupo no estado, e uma em Goiás, incorporada à rede Elite. As outras dez fortalecem a presença em São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Pará.
Para o CEO Bruno Elias, que começou como aluno e depois professor do Pensi antes de assumir o comando do grupo, a velocidade nunca pode ser o principal indicador de uma aquisição.
"Comprar melhor vem primeiro. Quando a gente está falando de educação, uma aquisição envolve a rotina de milhares de alunos, famílias e colaboradores", diz Elias, que já conduziu mais de 100 processos de integração de escolas ao grupo.
Os critérios de corte passam por qualidade acadêmica, recompensa, governança, cultura, retenção de professores, força de marca, sustentabilidade financeira e aderência à região. Quando a conta só fecha comprometendo a experiência do aluno, o Salta não avança.
Em 2021, o grupo estava com os processos de abertura de capital encaminhados quando surgiu a oportunidade de comprar mais de 40 escolas da Cogna, que representavam quase metade dos faturamentos de Salta na época. A escolha foi adiar o IPO para fechar o negócio.
“Escolhemos comprar as escolas, integrar-las ao Salta e capturar as sinergias, mesmo sabendo que isso adiaria a abertura de capital”, diz Elias. Depois da integração, o grupo multiplicou o Ebitda daquelas escolas por várias vezes.
Desde então, Salta elevou seu nível de governança: fez o registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) como companhia aberta na categoria A e listou a empresa na B3, no nível 2 de governança corporativa. Um novo IPO segue no radar, mas sem prazo definido.
Ao comprar escolas tradicionais, com muitas décadas de história, o Salta enfrentou um obstáculo recorrente: o receio de donos e diretores de que a identidade da instituição se perde na integração.
“Se decidimos comprar uma escola, é porque pensamos no que ela construiu. A gente compra o legado também”, diz o CEO. A decisão de manter ou não o nome histórico de uma escola comprada considera confiança, força na região e vínculo com as famílias.
Em São Paulo, o grupo já investiu mais de R$ 200 milhões em expansão até 2025. A rede Anglo Alante, que tinha uma única unidade em 2023, chegou a 11 em três anos. O Elite alcançou 17 unidades no estado com a chegada de uma nova escola em Cotia, e o Ábaco, adquirido recentemente, passou de quatro para seis unidades.
O caso mais maduro do portfólio é o Lato Sensu, adquirido em 2021. Cinco anos depois, o NPS das famílias dobrou, a retenção de professores é alta e a escola conquistou 70% das vagas de Medicina da Universidade Federal do Amazonas nos últimos dois anos.
Para Elias, nenhuma dessas frentes garante liderança sozinha. "A escala vai continuar permitindo que as pessoas invistam e compartilhem boas práticas. A tecnologia vai ajudar a personalizar o aprendizado. E a marca a confiança das famílias, uma confiança que precisa ser renovada todos os dias", diz.
O grupo já testou os limites da própria estratégia de crescimento: vendeu a operação de sistema de ensino e saiu do segmento premium com a marca Eleva, mantendo o foco na educação básica. Consolidação sem perder o essencial parece ser a régua que o Salta aplica antes de qualquer nova compra.