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'Quem dá certo? Mãe solo': o perfil que a Flash descobriu nos dados e virou vaga afirmativa

Mapeamento de desempenho em vendas levou a empresa de benefícios a criar vagas com trabalho remoto e terapia gratuita

Isadora Gabriel, CHRO da Flash (divulgação)

Isadora Gabriel, CHRO da Flash (divulgação)

Publicado em 15 de julho de 2026 às 12h32.

Quando o RH da Flash cruzou os dados de desempenho das áreas de vendas e pré-vendas atrás de um padrão, a pergunta era simples: que características têm as pessoas que batem meta, permanecem e crescem na empresa? A resposta não estava em nenhum manual de recrutamento. Eram as mães solo.

A descoberta virou política de contratação, com vagas afirmativas, trabalho 100% remoto e acesso gratuito à terapia, e uma campanha lançada no último mês das mães que recebeu quase 5 mil candidaturas e resultou em 17 contratações.

"Quem dá certo? Mãe solo", diz Isadora Gabriel, CHRO da Flash, psicóloga com quase 20 anos de RH e passagens pelo mercado financeiro antes de migrar para empresas de tecnologia. Nas avaliações, o perfil combinava compromisso com metas, senso de responsabilidade e uma leitura clara da oportunidade: a porta de entrada em pré-vendas como caminho real para uma carreira comercial.

O caso é o exemplo mais nítido da tese que orienta a gestão de pessoas na Flash. Criada como uma empresa de tecnologia para benefícios corporativos, ela mudou o setor há sete anos ao lançar um cartão de bandeira aberta, aceito em vez dos antigos cartões de uso restrito, e hoje opera como plataforma completa de gestão para RHs, atendendo 60 mil empresas no Brasil. A tese: o benefício não é definido pelo cargo, mas pelo momento de vida de cada pessoa. E a Flash faz questão de ser o primeiro cliente do que oferece ao mercado.

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Escritório da Flash (divulgação) (divulgação)

Do Mamãe Flamingo aos 12 primeiros meses do bebê

A aposta nas mães não começou na área comercial. Em uma empresa de maioria feminina, o RH identificou um volume constante de gestantes e criou o Mamãe Flamingo, programa que acompanha as colaboradoras da gestação até os 12 primeiros meses do bebê: sala de amamentação no escritório, grupos de troca entre gestantes organizados a cada 90 dias, preparação da liderança para a saída e o retorno da licença e um kit personalizado de maternidade.

As mães são liberadas cerca de duas semanas antes da data provável do parto. A licença-maternidade chega a 180 dias, a paternidade a 20, e há auxílio-creche para a volta.

Oito categorias e uma mudança de dono da decisão

Fora da parentalidade, a lógica de fases de vida se materializa no saldo flexível, que pode ser usado em oito categorias: alimentação, refeição, mobilidade, saúde, educação, cultura, home office e bem-estar.

A empresa define as regras do que é permitido, dentro das normas de alimentação do trabalhador, mas não controla como cada pessoa distribui o valor entre mais de 12 milhões de estabelecimentos.

A mudança parece operacional, mas é de paradigma para um mercado de trabalho com quatro gerações convivendo: em vez de adivinhar o que cada grupo precisa, o RH transfere a decisão para quem vive cada fase.

"A gente não sabe tudo sobre as pessoas, mas o benefício vai se adaptando à vida dela, ao contexto que ela foi construindo", diz a CHRO. Em pesquisa interna, 98% dos colaboradores se declararam favoráveis ao modelo.

A faculdade que começou com um pedido de conversa

O programa de jovem aprendiz da Flash contrata exclusivamente jovens em situação de vulnerabilidade social e tem taxa histórica de efetivação de 40%, que saltou para 75% na última turma. O benefício mais relevante para esse grupo nasceu de um caso concreto.

Um aprendiz do time de RH pediu uma conversa com a própria CHRO para discutir a escolha da faculdade. Sem bolsa e decidido a não adiar os estudos, ele comprometeria parte relevante do salário, que também sustentava a família.

"Eu falei: preciso fazer alguma coisa sobre a faculdade desse menino", relembra Isadora. A solução foi levada ao comitê executivo e virou regra para todos: aprendizes efetivados recebem subsídio de até 80% da mensalidade da graduação, em qualquer curso, de qualquer área. O jovem que motivou o programa hoje é analista júnior e cursa duas faculdades.

Cliente zero: o RH como laboratório do produto

Na Flash, o RH tem uma função que vai além da gestão de pessoas: testar, antes do mercado, o que a empresa vende. Os funcionários usam diariamente o cartão, o marketplace de descontos Clube Flash e as soluções de gestão da própria plataforma, e o feedback interno alimenta o desenvolvimento do produto. "Nós somos um RH que trabalha para RH", diz Isadora.

Os números sugerem que o laboratório funciona. Na pesquisa de clima mais recente, respondida por mais de 1.200 colaboradores, 87% deram notas 4 ou 5 para os benefícios em uma escala de 1 a 5. O quesito crescimento e desenvolvimento ficou em 4,7.

No fim, a aposta da Flash é menos sobre benefícios e mais sobre escuta: aceitar que a empresa não sabe tudo sobre as pessoas costuma ser o primeiro passo para acertar o que oferecer a elas.

Escritório da Flash (divulgação) (divulgação)

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